Preconceito linguístico e o ENEM

Tudo que você precisa saber sobre preconceito linguístico para se preparar para a prova do ENEM.

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preconceito linguístico

Todo mundo sabe que a prova de português do ENEM vai muito além de gramática. No entanto, você sabia que 10% das questões de linguagens são sobre variação linguística e que abordam muitas vezes o preconceito linguístico? Não? Então fica calmo, que nós preparamos uma matéria especialmente para você conhecer o que são as variantes linguísticas e no que consiste o preconceito linguístico! Confira: 

preconceito linguístico

O preconceito linguístico consiste na discriminação de um indivíduo pelo modo como ele fala. No entanto, antes de falarmos em preconceito linguístico, é necessário destacar um ramo da linguística indispensável para essa discussão: a sociolinguística variacionista. Essa ciência estuda descritivamente – isto é, estuda como a língua se comporta na prática e sem atribuir juízos de valor – a relação entre a língua e a sociedade. Assim, questões como “existe realmente uma forma correta de se falar?” norteiam as pesquisas e as discussões da sociolinguística variacionista.  

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA 

A variação linguística é um processo natural, que ocorre em todas as línguas e é responsável por suas adaptações e alterações. As principais variações são:  

a) Variação diastrática: esse tipo de variação ocorre devido as diferenças entre estratos e grupos sociais, relacionando-se a fatores socioculturais, identitários e econômicos. Isso significa que um falante de uma comunidade carente não fala da mesma forma que um morador de uma zona nobre, assim como um adulto não fala da mesma forma que um adolescente. Exemplos disso podem ser a presença do R no lugar do L em palavras como “blusa” e “brusa”, e em gírias que compõem o léxico particular de uma comunidade, como “gato” e “pão”.  

b) Variação diatópica: essa variação ocorre em função das diferenças regionais. Isso significa que, embora estejam no mesmo país, um cearense não fala da mesma forma que um gaúcho, pois ambos possuem suas particularidades. Um exemplo disso é a palavra “tangerina” que dependendo da região pode receber outras denominações como “mexerica” e “bergamota”. 

c) Variação diafásica: essa variação relaciona-se com o contexto comunicativo e determina a forma como devemos interagir com nossos interlocutores. Isso significa que, dependendo da ocasião, o falante deve optar pela formalidade ou pela informalidade, por exemplo.  

PRECONCEITO LINGUÍSTICO 

É fato que dominar as normas que regem a gramática normativa é importante para o nosso cotidiano. No entanto, desde a infância somos expostos a visões preconceituosas às pessoas que cometem algum desvio da gramática tradicional, mesmo que estejamos entendendo a mensagem. Assim, muitas vezes corrigimos de forma constrangedora e diminuímos a inteligência de um falante, sem considerar sua realidade e o contexto comunicativo. Esse comportamento é extremamente nocivo e provoca o silenciamento de diversos grupos sociais (que muitas vezes já são estigmatizados), fazendo com que muitas pessoas se sintam inseguras na hora de interagir com um outro falante. 

 

Por fim, reconhecer o dinamismo da língua portuguesa é essencial para o desenvolvimento individual e, consequentemente, de uma sociedade. Para isso, é necessário romper esse pensamento de que há apenas uma forma de se falar corretamente, e assumir a pluralidade e a diversidade cultural existentes em nosso país. Assim, ter empatia pelo próximo e compreender que mesmo com alguns desvios gramaticais a mensagem está sendo entendida, nos torna não só pessoas melhores mas também poliglotas em nossa própria língua.

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