Carnaval: o limite entre fantasias e preconceito

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O Carnaval é um feriado em que podemos ser quem a gente quiser, seja o Batman, seja um girassol, o importante é se fantasiar e estar com o corpo brilhando. No entanto, existem fantasias que podem soar desrespeitosas e caricatas para alguns grupos sociais. Pensando nisso, nós do QG fizemos uma matéria sobre os limites entre a fantasia e o preconceito. Confira! 

1 – NEGA MALUCA 

A fantasia de Nega Maluca é talvez uma das mais famosas dentro da discussão dos limites entre a fantasia e o preconceito. Isso porque ela acompanha o blackface, que é uma prática em que uma pessoa branca se pinta para parecer negra, gerando uma visão caricata e debochada do negro. Dessa forma, a fantasia de nega maluca é exagerada e dissemina um estereótipo do cabelo, do jeito e das vestimentas de uma mulher negra. 

2 – INDÍGENA 

É muito comum vermos pessoas vestidas de índio nos blocos de carnaval, e reproduzindo diversos estigmas em relação a esse grupo social. Geralmente a fantasia vem acompanhada também de falas como “mim ser índio” que dão o sentido de que o índio é linguisticamente inferior aos indivíduos urbanos. Além disso, a fantasia de índio mostra que o índio se veste e se comporta apenas de uma forma, quando na realidade existem mais de 200 tribos indígenas no Brasil, cada uma com sua cultura e suas práticas. 

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3 – CIGANA 

Os ciganos ao longo da história foram muito perseguidos e marginalizados, além de serem vistos como pessoas não confiáveis. Dessa forma, o passado de luta desse povo é totalmente esquecido pela sociedade, e os ciganos passam a ser lembrados apenas como uma fantasia para o Carnaval. 

4 – MULHER 

Há muito tempo uma das fantasias mais populares do carnaval é a de homem vestido de mulher. Essa fantasia foi muito naturalizada, mas reforça diversos estigmas femininos como por exemplo de que mulher é fútil e de que mulher anda toda maquiada. Ser mulher muito mais que usar vestido e batom vermelho. 

Por fim, o Carnaval é uma época de se permitir e de viver um personagem, mas quando isso ofende grupos sociais, debocha e reduz a um estereótipo, estamos nos fantasiando de preconceito. Nesse ano inove, e repense.

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Graduanda em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É apaixonada pela cultura e história da América Latina e sonha em conhecer todo esse continente. Além disso, tem interesse pela área das artes e pela área da comunicação. Seu objetivo de vida é ser professora e fazer diferença na vida das pessoas.