A relação entre o #blacklivesmatter e a derrubada de estátuas

Entenda o debate sobre a derrubada ou preservação de certos monumentos

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Postado: 15 de junho, 2020
derrubada de estátuas

Com a disseminação das manifestações em prol do movimento Black Lives Matter, um novo debate ganhou espaço em noticiários e redes sociais: a derrubada de estátuas e monumentos que fazem alusão a certas figuras históricas. Essa questão não surgiu agora, já é pauta há tempos, no entanto, após um acontecimento na Inglaterra, em que manifestantes derrubaram um monumento de um traficante de escravos (07/06), essa temática ganhou mais atenção da opinião pública internacional.

derrubada de estátuas

O debate a respeito do assunto não diz sobre a derrubada de qualquer estátua, mas sim daquelas que trazem à tona a figura de uma personalidade histórica que protagonizou um processo violento e de opressão a certos povos. No Brasil, duas figuras principais ganharam maior atenção: o bandeirante e a Princesa Isabel.

Mas por quê? Em São Paulo, principalmente, existem diversas estátuas de bandeirantes importantes no processo de interiorização do Brasil. No entanto, em contrapartida, vale ressaltar que esse projeto colonial foi responsável também pelo aprisionamento e extermínio de diversos povos indígenas e quilombos. Muitos bandeirantes representados em estátuas espalhadas pelo Brasil trazem a marca de um escravocrata também.

Já a respeito da Princesa Isabel, a principal problemática a respeito da exaltação de sua imagem diz respeito sobre o protagonismo da abolição brasileira. Para subestimar a luta escrava cotidiana contra a escravidão, foi-se vendida uma imagem de Isabel como “A Redentora”, menosprezando a resistência daqueles escravizados.

Essa ambiguidade entre uma narrativa oficial e uma história que muitas vezes não aparece em livros didáticos é o que vem gerando debates a respeito da derrubada de estátuas. Segundo alguns historiadores, esse movimento é importante para haver uma ressignificação da história nacional e valorizar certos grupos oprimidos pela narrativa oficial – como escravizados, mulheres e indígenas.

No entanto, em contrapartida, outros historiadores defendem que deve sim haver uma ressignificação da narrativa histórica, porém a derrubada de estátuas não seria o meio para tal. Uma alternativa proposta é levá-las para museus e outros espaços que substituam essa imagem de glorificação pública.

Independente de qual opinião tenhamos, esse debate só tem o que enriquecer na valorização de nossa história. Sendo a favor ou contra, é importante percebermos que esses grupos oprimidos por uma narrativa oficial estejam ganhando maior espaço devido a demandas atuais.