55 anos do Golpe de 1964

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Na madrugada do dia 31 de março para o dia 01 de abril, o Brasil passava por um golpe de Estado que mergulhava o país em longas duas décadas de repressão e autoritarismo. Hoje em dia, muitos tentam negar a existência de um golpe, alegando uma suposta Revolução ou Contrarrevolução, mas isso não se consolida como uma verdade histórica. A diferença entre golpe e revolução encontra-se no fato do primeiro ser uma ruptura política para a manutenção do status vigente, já o segundo, uma mudança estrutural de todo a cenário social do país. Mas então, como se deu o Golpe de 1964?

De início, é extremamente importante situarmos o evento em um contexto internacional de Guerra Fria. A bipolaridade mundial a respeito das ideologias capitalista e socialista aumentava também a polarização na política nacional. Os EUA, tendo perdido uma de suas áreas de influência em seu próprio continente, Cuba, formula um projeto político específico para a América Latina com o objetivo de apoiar a instauração de regimes ditatoriais afim de evitar o avanço ideológico de esquerda.

Enquanto isso, no Brasil, o presidente Jânio Quadros desenvolvia uma política econômica de não-alinhamento, buscando acordos comerciais com o lado soviético para estimular a economia brasileira que encontrava-se em crise no início da década de 1960. Com isso, o presidente manda seu vice, João Goulart – também conhecido popularmente como Jango -, para a China. Durante essa viagem, o presidente renuncia e a histeria nacional é estimulada pelo IPÊS.

O Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPÊS) era uma instituição com financiamento da CIA que adotava um discurso ideológico através da produção de filmes, desenhos e comerciais, que vinculava a imagem de Jango ao comunismo. Quando chega a hora do vice assumir, a classe política de oposição se utiliza desse meio para evitar a posse de Jango. No entanto, a posição ideológica de Goulart estava longe de ser comunista: lembrando que ele teria sido o Ministro do Trabalho de Vargas.

Vargas, um anticomunista, nunca empregaria como ministro uma figura ligada a URSS. Jango era trabalhista! O trabalhismo era uma vertente ligada às heranças dos avanços sociais do governo Vargas. Com isso, Jango propõe um pacote denominado Reformas de Base que instaurava algumas reformas como: tributária, política, eleitoral e agrária. Esse projeto abriu margem para o fortalecimento do discurso golpista que vinculava o presidente ao comunismo soviético, já que a classe trabalhadora começava a ver em Jango um aliado.

O golpismo começava a ganhar forças dentro do exército e no Parlamento com apoio de setores populares como o alto clero, a burguesia, segmentos da classe média e imprensa. No dia 31 de março, pelotões marchavam em direção a Brasília, o que leva o presidente a fugir para o Rio Grande do Sul. Na madrugada do dia 01 de Abril, o presidente da Câmara declara vacância no poder – medida inconstitucional, já que o presidente da República encontrava-se em território nacional – e, mais tarde, promoveria eleições indiretas que elegem o General Castelo Branco. Estava instaurado o Golpe Civil-Militar de 1964.

Dois porta-aviões vindos a mando dos EUA estavam prestes a portar no Rio de Janeiro para auxiliar no golpe. A chamada Operação Brother Sam seria um aporte militar estadunidense, porém não foi necessária já que os militares brasileiros junto ao Parlamento tomaram o poder antes mesmo da chegada dos porta-aviões.

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