Vingadores e ideologia

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Sem spoilers. A saga Vingadores faz um sucesso enorme, ainda mais hoje em dia com o avanço das mídias digitais. Os filmes que levavam para além das páginas de quadrinhos os heróis prediletos das crianças não demorou muito para conquistar um público muito mais amplo com efeitos especiais inovadores e enredos que às vezes conseguem ser mais complexos. No entanto, o que há por trás dessas histórias? Por isso, vamos debater Vingadores e ideologia.

Um dos primeiros vilões do Capitão América em sua saga nos quadrinhos foi ninguém mais, ninguém menos do que Adolf Hitler. A criação do personagem estava inserida em um contexto de Segunda Guerra Mundial, em que o inimigo americano, o nazismo, não era apenas um alvo militar, mas também fazia aflorar os nacionalismos populares. As histórias do Capitão América incitavam esse patriotismo, ao demonstrar o personagem derrotar os nazistas.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, o cenário internacional era outro: a Guerra Fria. O inimigo agora deixara de ser o nazismo e teria que ser demonstrado nos quadrinhos como o comunismo. O objetivo ainda continuava sendo aflorar os nacionalismos populares, porém a partir de então, enfrentando os russos. Com isso, os primeiros vilões do Homem de Ferro adotavam esse perfil do inimigo soviético.

Hoje os tempos são outros. Quem é o verdadeiro inimigo? Não temos mais Nazismo, nem o Comunismo para aflorar o nacionalismo estadunidense. Na verdade, a gama de vilões hoje é muito mais diversificada: alienígenas, terroristas e diversas outras aberrações. No entanto, é importante ressaltar que existem outros meios de se trabalhar essa questão do patriotismo, como enaltecer o desenvolvimento científico dos EUA e até mesmo, dar mais tempo de tela para batalhas heroicas com o Capitão América – maior representação nacional nos comics.

Além disso, a produção cinematográfica recente também está se dedicando a conversar mais com questões sociais que estão vindo à tona nos dias atuais. Uma representatividade negra e feminina é clara em alguns filmes como Pantera Negra e Capitã Marel. Isso demonstra também o potencial positivo que essas mídias possuem de enraizar culturalmente essas pautas muito importantes de empoderamento de minorias sociais.

Vale lembrar que os quadrinhos fazem parte da cultura popular. Assim como a televisão, o rádio e os jornais atingem um público enorme, a mídia dos comics também engloba toda uma massa além do público mais infantil. Com a dispersão dessas ideias de nacionalismo por de trás desses enredos heroicos, a capilaridade de um projeto político-cultural aumenta significativamente por toda a sociedade.

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