Quem foi Clarice Lispector?

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No dia 10 de dezembro de 1977, nascia aquela que seria conhecida como uma das maiores escritoras que o Brasil já teve, Clarice Lispector. Muitos conhecem seu nome e algumas de suas obras, porém o objetivo dessa matéria é destrinchar a história da autora e revelar: quem foi Clarice Lispector?

Infância e adolescência

Nascida na Ucrânia em 1920 e de origem judia, já aos 2 anos de idade, Chaya Pinkhasovna Lispector – seu nome de nascimento –  teria que se mudar para Maceió devido a perseguições raciais e busca por melhores condições de vida. Já no Brasil, receberia o nome nativo de Clarice e segundo ela mesma, sempre se considerou brasileira por mais que sua origem não fosse do país.

Sua infância não foi fácil. Ainda nova perdeu sua mãe por sífilis devido a um estupro durante a Primeira Guerra Mundial e seu pai, a partir de então, teve que sustentar Clarice e suas duas irmãs. A família teve que se mudar diversas vezes em busca de novas oportunidades e quando Lispector tinha 10 anos, eles se estabeleceram no Rio de Janeiro.

Desde jovem, Clarice sempre prezou pelos estudos, o que a fez entrar para a Faculdade de Direito da Universidade do Brasil, um local muito elitizado na época e que possuía apenas três mulheres alunas. No entanto, sua relação com Direito nunca foi algo que desejava para vida; Clarice sempre quis ser uma escritora e desde cedo, já lia autores clássicos da literatura brasileira.

Com apenas 19 anos, publicou sua primeira obra que coincidiu com o ano de falecimento de seu pai. Já aos 21 anos, ganharia um prêmio por seu livro Perto do Coração Selvagem, uma de suas orbas mais famosas. A partir de então, Clarice desenvolveu intensivamente seu perfil literário.

Vida e obras

Além de escrever livros, Clarice Lispector também se dedicou a crônicas e contos, porém nunca escondeu sua preferência por romances. Em suas obras, a escritora abordava temas cotidianos e assuntos delicados para a época – como o papel da mulher inserida na sociedade, maternidade etc -, caracterizando-a como um dos maiores expoentes do movimento modernista brasileiro.

A figura do feminino em suas obras é muito presente e leva o leitor a se colocar em situação empáticas quanto às personagens. Ainda hoje é discutido seu papel vanguarda como feminista, mas sem dúvidas, a escritora teve que superar barreiras machistas da sociedade brasileira da segunda metade do século XX.

Clarice teve dois filhos e sua paixão por eles era explícita como o maior sentimento possível que um ser humano é capaz de sentir, segunda ela. Odiava entrevistas com jornalistas e possuía uma personalidade única muito forte, segundo seus amigos mais íntimos. Além disso, a escritora era propensa a transtornos depressivos e isso também refletia em suas obras em diversos momentos de sua vida.

Meses antes de sua morte, a escritora ainda teve tempo de publicar uma de suas obras mais bem conceituadas e que não chegou a ver a repercussão em vida, A Hora da Estrela. Clarice Lispector morreu aos seus 56 anos, vítima de um câncer de ovário. Como herança, deixa diversas obras profundas que são capazes de nos levar a um mundo reflexivo sobre a ordem do cotidiano e da vida. Ninguém é o mesmo depois de ler uma obra de Clarice Lispector.