Por que vacinas demoram a ser criadas?

Entenda o motivo pelo qual vacinas demoram a ser feitas

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Atualmente, estamos vivendo um cenário de pandemia que aterroriza a população mundial e todos seguem aguardando uma cura e/ou uma vacina. Com isso, os cientistas já se adiantaram e avisaram que a vacina provavelmente demorará 18 meses ou mais para ser criada. Entretanto, poucos sabem que o tempo recorde de criação de uma vacina é de 5 anos, haja vista que normalmente o tempo de demora é de 10 anos. Ou seja, 18 meses é um tempo muito razoável quando comparado à realidade de demora da criação. Contudo, fica uma dúvida: por que demora tanto? Vamos entender?

Primeiramente, o que é uma vacina?

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A vacina nada mais é do que um método preventivo, usada na profilaxia/prevenção. Ela funciona do seguinte modo: contém micro-organismos (vírus ou bactérias) mortos ou enfraquecidos (ou ainda toxinas produzidas por estes micro-organismos), ou seja, incapazes de nos transmitir doenças. Entretanto, tais antígenos, mesmo inativos, são reconhecidos pelo nosso corpo e o estimulam a produzir anticorpos, assim, nosso organismo produz células de memória que ficam no sangue e permitem uma resposta secundária. Então, se um dia aquele micro-organismo intruso vier te perturbar, você já terá um exército pronto contra ele.

As vacinas são o meio mais eficaz e seguro de proteção contra determinadas doenças. É a única ferramenta que consegue erradicar doenças infecciosas. 

Mas então, qual o motivo da demora na criação?

Até uma vacina ser usada pela população em todo o mundo, ela percorre um longo caminho. É necessário que ocorram muitos estudos, testes e ensaios clínicos, requer muito conhecimento, perícia e técnica. A necessidade dessa demora e cautela fica explícita quando pensamos que é uma dosagem única para bilhões de pessoas.

Vamos entender o passo a passo:

Depois de estudar a doença, entendê-la, descobrir o agente causador e estudá-lo a fundo, começamos a trabalhar na vacina em si. Um dos primeiros passos é neutralizar ou atenuar o agente infeccioso, seja um vírus ou uma bactéria, após a sua identificação e a sequenciação do seu genoma, que é um processo rápido. Depois, é preciso perceber se os microrganismos atenuados são suficientes para permitir a produção de anticorpos capazes de proteger contra a infeção. Essa tarefa já é mais complexa e demorada.

Há três fases na produção de uma vacina e cada passo requer autorizações de entidades internacionais. Era de se esperar que existiriam muitas regras para cada e qualquer ação que envolve essa delicada tarefa do campo de saúde, nada mais justo do que haver um protocolo rigoroso. Ocorrem os testes feitos em animais e, logo após, avança-se para a etapa seguinte, que são os testes no ser humano. Pode ser tudo diferente.

A primeira fase é despistar a toxicidade, qualquer efeito adverso e colateral. Isso pode demorar um ano, no mínimo, haja vista que a vacina tem efeito preventivo que dura a vida inteira e isso requer o descarte de qualquer sequela.

Na segunda fase, testa-se a eficácia, se possível em diversos laboratórios, em países diferentes, o que pode demorar mais de dois anos. Tenta-se perceber se há um aumento de anticorpos no sangue prontos a responder ao ataque do agente patogénico. São esses anticorpos que impedem a entrada do que é perigoso e danoso nas nossas células, ou seja, que fazem a vacina ter efeito.

A terceira fase é igual à anterior, mas em larga escala, com muito mais voluntários. Os ensaios clínicos demoram anos.

Além da necessidade de todas essas etapas, é preciso reforçar de que muito dinheiro é gasto no processo, o que faz ser mais lento ainda. E ainda tem que não acertamos de primeira, é um processo de erros e acertos, tudo que funciona assim acaba demorando.

E as vacinas para a Covid-19? Vão demorar?

Essa é uma situação diferente, que vai definitivamente bater o recorde de rapidez na criação de uma vacina. O esforço, os estudos, o dinheiro investido serão maiores e vai permitir uma rapidez. O prazo normalmente falado é de 18 meses, mas não tem como saber. O jeito é confiar na ciência e sua capacidade de nos tirar desse cenário.

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