Perambulando com o QG: Bastilha

O destino do Perambulado desta semana foi a Praça da Bastilha em Paris.

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Olá, pessoal! Na última noite do Perambulando com o QG, perambulei pela Bastilha, em Paris. Depois de tirar umas imagens do local fechei jantando num inusitado restaurante que encontrei, chamado Le QG! Tirei algumas fotos.

E por que a Bastilha!? Ou Bastille, em francês.

A Bastilha era uma prisão-fortaleza medieval derrubada na Revolução Francesa de 1789. Aqui vou contar como ela não era isso tudo que falam hoje, por exemplo, quando caiu estava quase vazia. Mas no fundo isso pouco importa, pois o que interessa é compreender como o caráter simbólico da derrubada da Bastilha foi essencial para o movimento revolucionário.

Derrubar a Bastilha significou um marco para os revolucionários, pois ela simbolizava o despotismo da monarquia francesa, e funcionava principalmente como prisão política, além de criminosos. O dia de sua tomada ficou conhecido como o dia do aniversário da Revolução, 14 de Julho de 1789. Nesse dia ela foi invadida e destruída pelo povo.

A Bastilha foi construída pelo rei Carlos V entre 1369 e 1382, com 8 torres, muralhas de 25 m de altura e cercada por fossos.

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Bastilha em 1420.
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1789, tomada da Bastilha.

A prisão situava-se no bairro Saint Antoine, um dos mais populares de Paris, que é chamado de Faubourg Saint-Antoine. Faubourg significa “fora do burgo”, fora da cidade, ou seja, periferia. Apesar de que hoje a periferia de Paris vai além dos “faubourgs”, e denomina-se “banlieu”.

No aniversário de 200 anos da Revolução francesa, em 1989, foi erguida a Ópera da Bastilha, um moderno prédio para receber concertos e que provoca discussões, uma vez que era para ser a “ópera do povo”, porém o preço dos ingressos não são nada populares…

Opéra Bastille, construída em 1989 para comemorar os 200 anos da Revolução Francesa.
Opéra Bastille, construída em 1989 para comemorar os 200 anos da Revolução Francesa.

 

Todo o prédio da prisão da Bastilha foi arrasado entre 1789 e 1791. Com as pedras foi construída a ponte da Concorde (Concórdia), uma das várias no rio Senna.

Bastilha
Metrô Paris

Bom, a Bastilha já não era uma prisão tão importante no final do século XVIII, quando foi tomada em 14 de julho de 1789 estavam apenas sete condenados: quatro por roubo, dois nobres por comportamento imoral, e um por assassinato. De fato, os rebeldes tomaram a Bastilha por causa da pólvora que lá estava armazenada. Mas mesmo assim, o ato marcou a queda de um dos símbolos do absolutismo. A Queda da Bastilha causou profunda emoção nas províncias e acelerou a queda dos intendentes (governantes locais nomeados e não eleitos).

A queda da Bastilha desencadeou uma série de mobilizações violentas por toda a França, saindo de Paris e estendendo-se ao campo. Camponeses saquearam as propriedades feudais, invadiram e queimaram os castelos e cartórios, para destruir os títulos de propriedade das terras (fase do Grande Medo). Em resposta a esse radicalismo a Assembleia Nacional Constituinte aprovou na noite de 4 de Agosto a abolição dos direitos feudais, gradual e mediante amortização, além das terras da Igreja terem sido confiscadas.

E o que é importante para o ENEM!?

– Ter uma noção do significado da Revolução francesa de 1789. Pois ela passa a ser um modelo das revoluções, de como revolução passa a significar um sentido na história. Ser revolucionário não é dar volta, mas sim ter como fim a superação dos valores, ideais, religião, instituições e aquilo que representava o Antigo Regime e antes a Idade Média. Os principais ataques dos revolucionários são contra a nobreza e a Igreja católica, e a monarquia na medida em que não aceitasse os ideais revolucionários.

– Como a história é marcada por eventos simbólicos, e que na construção de mitos eventos que poderiam ter sido banais tornaram-se altamente representativos. Pois de fato, a Bastilha em 1789 não era importante enquanto prisão, no máximo foi importante para os revolucionários encontrarem pólvora e munirem suas armas.

– O que as prisões representam para o ideal de superação do Antigo Regime. Filósofos e sociólogos desde o século XIX irão refletir sobre como as prisões são instituições que procuram moldar o comportamento humano, como vigiam a pessoal e procuram amoldá-las a um padrão social, imputando uma forte carga de culpa sobre o apenado. Vale a pena lembrar de um dos principais filósofos contemporâneos em que um dos temas centrais é a prisão, Michel Foucault (1926-1984) autor de Vigiar e Punir, 1975.

E para fechar, jantar no Le QG, perto da praça da Bastilha!

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