Perambulando com o QG: A Alemanha no ENEM

No Perambulando com o QG desta semana, o professor Luiz Ramiro esteve presente no Dia da Unificação Alemã e nos conta a importância do país para o ENEM.

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Em Frankfurt am Main, o Perambulando com o QG marcou presença no Tag der Deutschland Einheint – Dia da Unificação Alemã, um evento nacional em comemoração aos 25 anos da unificação da Alemanha.

Famílias, crianças, jovens, adultos, amigos, imigrantes recém-chegados, imigrantes de longa data, e turistas preenchiam os já aglomerados pontos de encontro do Tag der Deutschen Einheit. No dia 03 de outubro de 1990, um país dividido se reunia. Poucos meses antes um símbolo dessa divisão havia sido quebrado, o Muro de Berlin. Apesar da queda do muro ter significado o fim simbólico de um mundo dividido, faltava o congraçamento oficial para que a Alemanha não fosse mais duas, mas uma.

 É provável que a festa da reunificação que se deu no último fim de semana seja o maior evento patriótico da Alemanha. Tímidos em demonstrar o seu nacionalismo, depois de todo o trauma com o regime nazista, os alemães se desinibiram um pouco mais a partir da Copa do Mundo de 2006, na qual foram países sede, e de lá para cá o próprio passado é visto de modo menos pesado e até mais lúdico. Peças teatrais, filmes, programas de TV fazem com que o alemão hoje possa observar o passado nazista não apenas como um peso na consciência, mas também de forma lúdica, em especial ridicularizando a figura de Hitler.

Ainda assim, como explicava antes, a festa da unificação não era para inflamar nenhum nacionalismo, mas sim para proclamar a diversidade e a paz. Até mesmo os típicos chapeuzinhos alemães não eram em preto, amarelo e vermelho – como a bandeira do país -, eram brancos com uma fita azul e patrocinados por uma empresa sul-coreana (Samsung).

Dentre desse duplo que foi a Alemanha, tal qual o mundo ao longo da Guerra Fria (do final da II Guerra Mundial até os primeiros anos da década de 1990), divididos entre sociedade comunista e capitalista, restou de fato apenas um, o lado ocidental. A Alemanha socialista, a RDA (República Democrática da Alemanha) ruiu sem lágrimas. Depois da queda do Muro não havia mais volta, o futuro era a unidade. Apesar de uma resistência inicial da URSS, pois a Alemanha ocidental pertencia à OTAN e era alinhada aos Estados Unidos, logo depois, ainda em 1990, o presidente soviético Mikhail Gorbachev cedeu e tornou possível o Tratado 2+4 entre os dois países alemães e as quatro potências vitoriosas na II Guerra Mundial (Estados unidos, URSS, Reino unido e França) para aplainar a reunificação. Esse caminho foi possível pois a própria URSS já estava fragilizada politicamente, e também rumava para uma distensão com a Perestroika e Glasnost (reconstrução e transparência) desde o início do governo Gorbachev em 1985.

Enquanto a Alemanha oriental (RDA) era um satélite importante da União Soviética (URSS), a Alemanha ocidental significava o dinamismo da sociedade capitalista, mas também imersa nos seus vícios contemporâneos. O fato é que mesmo com a unificação, 25 anos depois, as diferenças permanecem. O lado oriental é onde a economia é menos dinâmica, as taxas de desemprego são maiores, é onde também verifica-se maiores êxodos populacionais, pois em certas áreas do leste alemão é comum os jovens saírem a busca de melhores oportunidades em cidades maiores, que sobretudo ficam no lado ocidental.

E o que é importante para o ENEM!?

Nas nossas perambulações com o QG pela Alemanha tratamos de vários momentos dramáticos, tristes, escandalosos, virtuosos e vexatórios da história alemã e europeia. Mas quando se fala de algo contemporâneo vem um ar de otimismo. O país está em alta. Trata-se do carro-chefe da economia europeia, pois tem uma política estável com a chanceler Angela Merkel. Foi o país mais simpático à recepção dos refugiados. Ao contrário de outras potências, como Reino Unido e França, a Alemanha não teve propriamente colônias e desse modo a diversidade de culturas é algo recente, mas que o país está disposto a aceitar.

Por esses e outros motivos que a festa de comemoração dos 25 anos da Unificação da Alemanha foi mais uma festa da diversidade. O grande desejo de uma unidade na diversidade, esse é o sonho de qualquer país. E por enquanto a Alemanha sonha acordada…

alemanha2Com esse otimismo todo, aproveitei a festa para degustar das coisas boas do lugar: as cervejas e os doces!