Os problemas sociais do movimento antivacina.

Entenda como o movimento antivacina pode ser perigoso para a sociedade.

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Postado: 6 de março, 2020 - Atualizado: 24 de maio, 2020
antivacina

Considerada uma das maiores conquistas da medicina e pediatria, a vacina é responsável pelo desaparecimento de várias doenças e algumas inclusive graves. Entretanto, nos dias atuais, surgiu um movimento antivacina, de pessoas que não acreditam na eficácia da vacina, ou acham que elas podem causar doenças e simplesmente deixam de se vacinar ou vacinar seus filhos. Vamos entender os perigos do movimento contrário a uma das maiores revoluções médicas?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) atualizou em 2019 seu relatório que contém os 10 maiores riscos à saúde global, incluindo o movimento antivacina como um desses grandes riscos. De acordo com a Organização, os movimentos antivacina são tão perigosos quanto os vírus que aparecem nesta lista porque ameaçam reverter o progresso alcançado no combate a doenças evitáveis por vacinação, como o sarampo e a poliomielite. “A vacinação é uma das formas mais eficientes, em termos de custo, para evitar doenças. Ela atualmente evita de 2 a 3 milhões de mortes por ano, e outro 1,5 milhão poderia ser evitado se a cobertura vacinal fosse melhorada no mundo”, afirma a OMS.

antivacina

As vacinas provocaram uma queda abrupta não somente de doenças, mas principalmente da mortalidade infantil. A expectativa de vida dobrou entre 1900 e o ano 2000, e o motivo disso não foi a medicina cotidiana que impede que pessoas de 90 anos morram, o grande causador disso foi a vacina, porque ela impediu que crianças com dois anos morressem e pudessem viver até os 80 anos.

O que os movimentos estão provocando?

Os movimentos antivacina vêm crescendo no mundo todo, inclusive no Brasil, que sempre foi exemplo internacional. Segundo dados do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde (PNI/MS), nos últimos dois anos a meta de ter 95% da população-alvo vacinada não foi alcançada. Vacinas importantes como a Tetra Viral, que previne o sarampo, caxumba, rubéola e varicela, teve o menor índice de cobertura: 70,69% em 2017.

Outro exemplo é que a cobertura vacinal contra poliomielite no país era de 96,5% em 2012; dados preliminares de 2018 mostram que a cobertura dessa mesma vacina foi reduzida para 86,3%.

O grande perigo desse movimento pode ser facilmente ilustrado: O sarampo foi eliminado da população brasileira por meio da vacina. Houve uma imigração da Venezuela, e vieram pessoas não vacinadas para cá. Isso não seria um problema se toda a população fosse vacinada, entretanto, apareceram crianças brasileiras que não tinham se vacinado. Dessa forma, o sarampo que era uma doença desaparecida, foi reintroduzida.

Ou seja, quando você não se vacina ou não permite que seu filho se vacine, você não só coloca ambos em risco, como também ameaça a saúde da sociedade como um inteiro.

Quais são as motivações desse movimento?

Na verdade, existem várias causas para as pessoas aderirem ao movimentos. Muitas pessoas deixam de se vacinar ou vacinar seus filhos por motivos religiosos. Alguns acreditam que a vacina pode ser causadora de doenças e até mesmo de autismo. Também é dito por pessoas do movimento que a vacina em crianças é extremamente perigosa, porque o sistuma imunológico infantil seria mais “frágil”. Mas de fato, o maior causador desse movimento são as “fake news” acerca do assunto, que são rapidamente replicadas e espalhadas na mídia como se fossem verdades comprovadas cientificamente. É importante mencionar que nenhum dos argumentos do movimento antivacina são verdadeiros ou válidos cientificamente.

Por que esse movimento vem ganhando força?

A resposta é simples: mídia. Existem mais de 500 websites sobre o movimento, com argumentos que parecem até convincentes quando não há médicos ou cientistas para refuta-los. Nas redes sociais cada vez mais aparecem publicações fortificando o movimento, com mais de mil compartilhamentos.

Afinal, como funciona a vacina? 

A vacina nada mais é do que um método preventivo, usada na profilaxia (significa prevenção, e é um termo muito comum em provas). Ela funciona de certo modo: contém micro-organismos (vírus ou bactérias) mortos ou enfraquecidos (ou ainda toxinas produzidas por estes micro-organismos), ou seja, incapazes de nos transmitir doenças. Entretanto, tais antígenos, mesmo inativos, são reconhecidos pelo nosso corpo e o estimulam a produzir anticorpos, assim, nosso organismo produz células de memória que ficam no sangue e permitem uma resposta secundária. Chamamos de imunização ativa. Então, se um dia aquele micro-organismo chato vier te perturbar, você já terá um exército prontíssimo contra ele.

A vacina é segura, é eficaz, e é extremamente necessária. Então, se vacinem. 

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Graduanda em Ciências Biológicas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É apaixonada por biologia, música, cinema e viajar.