O que é direita e esquerda?

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O Brasil encontra-se muito polarizado em termos políticos em seu corpo social. Isso é algo que não surgiu no século XXI, mas que data desde a primeira metade do século XX. No entanto, muito dessa polarização não se manifesta especificamente em partidos políticos ou instituições em si, mas sim na dicotomia: “direita” e “esquerda”.

Os termos “direita” e “esquerda” surgem durante a Revolução Francesa no final do século XVIII. Na Assembleia Nacional dos Estados Gerais convocada por Luís XVI na França, à direita da câmara localizavam-se os girondinos, à esquerda os jacobinos e ao centro ficavam os pântanos – como eram conhecidos aqueles que por vezes votavam a favor ao jacobinismo e por outras ao girondismo.

 Esses grupos começam a se diferenciar no que tange ao caráter revolucionário. Para os girondinos, a França deveria passar por algumas reformas que preservassem certos valores e abolissem outros, prezando por um conservadorismo reformista. Já os jacobinos defendiam uma ruptura abrupta do status político francês, efetivando uma revolução de fato.

Claramente, hoje em dia, esses perfis jacobinista e girondinista já não cabem ao cenário político. No entanto, sua simbologia foi herdada para novos panoramas como estes em 2018, ano de eleições nacionais. Antes de entrar nas definições de fato, é sempre bom atentar para os radicalismos: qualquer tipo de extremismo é prejudicial para a saúde de um Estado democrático que vivemos.

Mas o que significa ser de “direita”? Direitista é aquele que possui como prioridade os direitos individuais e não abre mão de que eles sejam preservados. A saúde de direitos da instituição indivíduo é a essência do pensamento de quem se diz de “direita”. Por exemplo, em uma situação de desigualdade de distribuição de terras improdutivas fundiárias, o direitista é aquele que vai defender que o Estado não possui o direito de redistribuir aquelas terras, por mais improdutivas que sejam, pois a propriedade privada é algo que deve ser preservado como direito individual.

E o que significa ser de “esquerda”? Esquerdista é aquele que possui como prioridade os direitos do coletivo, ou seja, é aquele que acredita que por vezes os direitos individuais podem ser suprimidos pelo bem da sociedade como um todo. A defesa das minorias sociológicas por exemplo, leva a pessoa de “esquerda” a prezar por um limite na liberdade de expressão ao defender que a LGBTfobia e o racismo sejam crimes. Já retomando nosso exemplo da desigualdade fundiária, ao contrário do direitista, o esquerdista iria defender que aquela terra, por ser improdutiva, cabe ao Estado redistribuí-la para o bem do coletivo, ou seja, para o bem daqueles que não possuem terra para se sustentar.

Essa discussão entra em questões muito complexas, mas o mais importante é ter isto em mente: como a distinção entre “direita” e “esquerda” tem como base uma diferença moral. Ou seja, a diferença de uma pessoa de “direita” para uma pessoa de “esquerda” encontra-se no que ela privilegia como preceitos morais. Entender isso é ter consciência de como as rivalidades políticas não passam de discussões morais e que nenhum dos dois lados está querendo o mal para a sociedade de maneira maquiavélica, mas sim que as duas pessoas possuem concepções de mundo completamente diferentes.

Por enfim, é importante também ratificar a importância de fugirmos dos extremismos. Em uma crise política na qual nos encontramos, os radicalismos começam a se aflorar e é sempre bom mantermos o pé no chão e desenvolvermos raciocínio crítico ao que se encontra ao nosso redor.

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Graduando em História na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É mais ligado à área de humanas e atua hoje como monitor de História no QG do ENEM. Além de adorar a história de seu país, possui grande afeição com a cultura popular brasileira.