O que a Copa do Mundo Feminina deixou de herança?

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Se vocês ficaram nervosos no dia de ontem naquele jogo emocionante contra a França, saibam que não estavam sozinhos. A eliminação da seleção brasileira feminina foi dolorosa dentre diversos fatores, mas muito mais pelo simbolismo que essa Copa do Mundo teve, em especial para nós brasileiros e, mais especial ainda, para as brasileiras. Mas então, o que a Copa do Mundo Feminina deixou de herança?

Marta, Formiga, Cristiane, entre outros nomes, ficaram mais familiares nessas últimas semanas que acompanhamos a Copa do Mundo feminina. Talvez tenham ficado mais familiares exatamente para nos lembrar que deveriam já o serem há tempos… O Brasil apresentou em campo um futebol digno de aplausos de pé e, fora dele, um show imensurável. O que essas jogadoras mostraram a uma gama de meninas que sonham em um dia entrar em gramados profissionais representou um exemplo muito importante para darmos mais um passo à valorização do futebol como um esporte em que o sexo não entra em campo.

O número de matrículas em escolinhas de futsal femininas e as diversas comemorações de gols acompanhadas de gritos como “um dia, serei igual a Marta” pipocaram muito mais ao redor do Brasil. Em um país em que o investimento no futebol feminino é baixíssimo e onde pouquíssimos clubes possuem uma preparação sub-15 para as meninas, a valorização do esporte como um campo de expressão cultural é muito importante para superar um machismo estrutural que permeia todos os campos do convívio em sociedade.

Segundo números liberados pela FIFA, espera-se que cerca de 1 bilhão de pessoas estejam acompanhando a Copa do Mundo feminina. Nunca teremos dimensão do avanço em termos sociais que esse número representa. Além disso, a cobertura midiática brasileira está focando e muito na importância da valorização desse esporte e na capacidade transformadora que possui reservado ainda em potencial hoje em dia.

Por mais que o Brasil tenha saído derrotado dentro dos gramados, não é para qualquer um ou uma enfrentar as donas da casa por mais de 130 minutos e mesmo assim dar um pique de corrida aos 16 minutos do segundo tempo da prorrogação. Que cada gol e cada jogo nos tenha servido de bronca e orgulho nessa linda Copa do Mundo que as nossas mulheres fizeram!

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