O funk e a cultura popular brasileira

Entenda a dimensão de retrato da sociedade que o funk transparece

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Postado: 19 de outubro, 2020
funk

No Blog do QG, costumamos abordar bastante temáticas musicais, e não por coincidência. A dimensão cultural que uma manifestação musical possui nos permite estudar características e valores de determinada época, grupo social e espaço. Já tratamos sobre o samba e sua representatividade do enraizamento de tradições africanas no Brasil; a MPB durante a Ditadura Civil-Militar como importante protagonista de uma resistência cultural e política; agora, trataremos sobre o funk!

Nosso objetivo não vai ser destrinchar o percurso histórico do funk no Brasil, mas sim analisar a evocação de certas vozes, muitas vezes silenciadas, que esse gênero musical viabiliza. Por mais que tenha sido inspirado em outros ritmos advindos da musicalidade negra dos EUA na década de 1960, vai ser no Brasil que o funk vai ser ressignificado e transformado no fenômeno que é hoje em dia.

funk

A palavra-chave é ressignificação. Dar um novo significado ao ritmo fez com que o funk se transformasse em mais do que apenas um gênero musical, mas em uma marca cultural de comunidades marginalizadas, principalmente no eixo Rio-São Paulo. No entanto, isso não significa, como observamos nos dias atuais, que o funk é restrito a essas regiões. A tradução do gênero para certas tradições locais gera inclusive misturas com ritmos regionais.

Essa marca popular de uma cultura marginalizada – ou seja, à margem da sociedade – exemplifica as diversas perseguições e inclusive criminalização do funk. Por demarcar uma musicalidade que rompe com um conservadorismo da sociedade de maneira mais afrontosa, o funk passou a ser vinculado, por uma mentalidade elitista, a um universo do desregrado moral e da criminalidade.

Paralelo a essa desqualificação moral de uma manifestação popular, observamos também um processo de apropriação cultural que visa transformar o funk em um ritmo mais “domesticado”, deixando de lado pautas e temáticas que marcam esse universo que dá voz ao subalterno. A elitização do funk aos grandes salões de festas expande o alcance do gênero musical, mas sem o reconhecer com uma carga cultural, apenas valorizando seu caráter festivo.

Por fim, para não deixar de falar sobre como essa temática pode aparecer em provas de vestibulares por todo o Brasil, é importante ressaltar que o funk pode ser um instrumento analítico para entender diversas abordagens em provas de Humanas e Redação. Pautas como elitização e apropriação cultural e valorização da musicalidade popular são questões que se demonstram muito atuais.