A Mega-Sena e o nosso inconsciente acumulado

Desejamos ser como a Família Real Portugues

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Quando a Mega-Sena acumula é comum vermos as pessoas correndo para as casas lotéricas para fazerem as suas apostas.  Cada um tem os seus números, suas superstições e diversas maneiras que acham que irão lhe garantir ser contemplado com o tal prêmio de milhões.

O Brasil foi o único país do mundo que teve uma monarquia e um regime escravocrata no mesmo território. Isso causou um grande impacto até os dias de hoje, pois os mais pobres começaram a ver a realeza como referência da verdadeira riqueza. Distanciar-se da pobreza era não ser parecido com os outros. “Sou pobre, mas sou limpinho.”

Os escravos domésticos recebiam roupas e sapatos, assim, se diferenciavam dos demais. Não é a toa que muitos alforriados também tinham escravos. Reproduziam com os outros o que os senhores de engenhos faziam com eles.

A Família Real Portuguesa já foi embora há séculos e nós, brasileiros, continuamos idealizando que ser rico é ter pessoas nos servindo e não precisar trabalhar. Quanto mais braçal é o trabalho, menos é o valor que damos ao trabalhador. Muitos vão à falência por tentar abrir seus próprios negócios, pois não querem ter patrão.

escravos
Achamos que ser rico é ter pessoas nos servindo.

Não queremos andar de transporte público como a maioria. Quero ter o meu carro. Quero que todos os sinais estejam verdes só para mim. Quero ser reconhecido pelo dono da festa para poder entrar sem enfrentar fila. Nunca digo que sou rico porque sempre me comparo a vida da Família Real. Quero ser Barão.

Quando assisto às matérias com pessoas sendo entrevistadas sobre o que irão fazer com os milhões que ganharem da Mega-Sena acumulada, elas sempre dizem que pagarão as suas dívidas, ajudarão a família e os amigos. Mas não é somente isso. Depois de um tempo, farão questão de mostrar no Facebook, não o seu dinheiro, mas o seu novo status de nobre.

O nosso inconsciente é uma herança acumulada.