Independência do Brasil: ambiguidade entre memória e violência

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O Brasil apresenta-se em um cenário profundo de desrespeito com sua própria História. Com o recente acontecimento que chocou o mundo inteiro do incêndio no Museu Histórico Nacional, criado há 200 anos pela família imperial, muito se questionou sobre a postura dos dirigentes brasileiros com o descaso de passe de verba e questões morais envolvendo a preservação de monumentos históricos. Ademais, no ano de 2017, segundo um levantamento feito pela BBC News Brasil, os brasileiros visitaram mais o Louvre em Paris do que nosso próprio museu localizado em uma zona central no Rio de Janeiro.

Nessa mesma semana desse evento trágico, o Brasil comemora essa sexta o aniversário de Independência do país. A ironia do destino nos confronta em um curto período de tempo entre esses dois marcos da História do país. Iremos comentar sobre os acontecimentos que marcaram o período em 1822, mas o mais importante é nos questionar sobre a valorização de nossos patrimônios e como nossa sociedade interpreta a memória de nosso país.

Em 1808, a família real foge das invasões napoleônicas para o Brasil, colônia portuguesa na época. O marco inicial da Abertura dos Portos (1808) às nações amigas inaugurou as pretensões da Coroa de desenvolver certo vínculo direto com a Inglaterra principalmente, rompendo com o Pacto Colonial. A partir de então, sete anos depois, fomos elevados ao patamar de Reino Unido, já que toda a corte se encontrava no Rio de Janeiro.

No entanto, com o fim das invasões napoleônicas na Europa, o clamor pelo retorno da corte a Portugal começou a agitar os populares e em 1820, estoura uma revolta conhecida como a Revolução do Porto. Os insatisfeitos exigiam a recolonização do Brasil e volta da metrópole às terras portuguesas. Dom João VI, monarca do Reino Unido, viaja a Portugal para solucionar a questão e seu filho, Dom Pedro I, fica no Rio de Janeiro como regente.

Os interesses recolonizadores de setores políticos portugueses não viram com bons olhos essa permanência do príncipe no Brasil e exigem seu comparecimento na Assembleia Constituinte criada em Portugal. Ao receber a notícia, Dom Pedro declara que não acatará a decisão e termina seu discurso no que ficaria conhecido como Dia do Fico (09/01/1822): “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico”.

A partir de então, com o cenário não muito diplomático incitado por Dom Pedro, o príncipe regente começa um processo de desvinculação entre Portugal e Brasil que acaba com a independência do país em 7 de setembro de 1822. O Brasil funda-se como Império e Dom Pedro I iniciaria seu mandato como o primeiro rei.

Em memória do Museu Histórico Nacional criado em 1818 por Dom João VI, que adere esse nome a partir da proclamação da república. O monumento serviu de residência para a família real no Brasil e hoje, devido aos descasos do Estado brasileiro, se encontra destruído.