Império Romano

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Logo no início do Curso Completo, vemos o professor Marcelo Tavares falando sobre o império Romano. Mas assim, ninguém fala como era a rotina de um soldado romano, por isso, fizemos aqui um diário na vida do soldado fictício Servius Felix.

O cenário é o ano 15 A.C. e o império romano prospera. A maior parte do crédito vai para o imperador, mas esse sucesso não seria possível sem soldados fiéis como Servius. Filho de um fazendeiro pobre e com poucas perspectivas para seu futuro, ele se alistou aos 18 anos. Diferentemente da maior parte dos legionários, ele não gosta de apostar, por isso conseguiu juntar o dinheiro de seu salário. Ele conseguiu salvar até as 3 moedas de ouro que recebeu ao se alistar. Se ele sobreviver até sua aposentadoria, ele receberá muitos acres de terra. Para se aposentar, precisa completar 25 anos de serviço, mas não podemos esquecer que a vida de um legionário é perigosa e desgastante. Seu foco é na sobrevivência para voltar para casa e casar com uma mulher por quem se apaixonou.

Recentemente, a legião de Servius junto com três outras realizaram uma “grande marcha” de mais de 30.000 passos romanos, equivalente a 36 quilômetros. Suas armas e armaduras, incluindo espada, escudo e duas lanças pesam mais de 20 quilos. Isso sem contar com a sua mochila que contém comida e todas as ferramentas necessárias para montar um acampamento (pá, serra, picareta e cesto). Apesar de muito cansado, Servius vai dormir pouco essa noite porque foi convocado para primeira vigília, que significa tomar conta dos animais e ficar alerta para qualquer emboscada. Quando termina seu turno, ele deita sem pregar os olhos, temendo o dia seguinte. Ao amanhecer, Servius toma café com seus sete companheiros de tenda. Eles são como uma família, todos carregam cicatrizes das batalhas em que lutaram juntos.

Servius é da Itália, mas seus colegas vêm de diversas regiões do império romano que vai da Síria até a Espanha. No momento, eles estão na Germânia, região norte bem longe da casa de todos. A legião de Servius e as outras três legiões estão sob o comando de Germânico, sobrinho do imperador Tibério que tem esse nome como homenagem ao sucesso de seu pai contra as tribos germânicas. Cada legião tem quase 5.000 soldados que são divididos em grupos de 500. Esses são subdivididos em grupos de 80 a 100 pessoas. Cada subgrupo é comandado por um centurião que marcha ao lado dos legionários gritando as ordens: direita, esquerda, direita, esquerda. Sempre começando com a direita, já que começar com a esquerda dá azar. Apesar da disciplina dos soldados, há tensões no ar. Ano passado, alguns legionários se revoltaram exigindo salários melhores e jornadas de trabalho mais curtas. Apenas o carisma do general e sua habilidade de negociação evitaram um motim geral.

Hoje é dia de “apenas uma marcha”, são 30 quilômetros. Como florestas e pântanos Germânicos ficam além dos sistemas de estradas do império, os soldados precisam construir pontes e caminhos para passar. Coisa que nos últimos dias, eles acabaram fazendo mais do que lutar.

Finalmente eles chegam no destino final, local que Servius já conhece. É uma clareira nos arredores da floresta de Teutoburg, onde 6 anos atrás, no império de Augusto, tribos germânicas sob as ordens do capitão Arminius emboscaram e destruíram três legiões romanas. Passando por um caminho estreito, as legiões foram atacadas sob chuva torrencial e sem ter para onde fugir. Foi uma das piores derrotas que os romanos sofreram e Augusto nunca a superou. Servius foi um dos poucos sobreviventes. Ele ainda tem pesadelos onde vê seus companheiros sendo assassinados. Agora, o exército está de volta para enterrar os soldados mortos. Enquanto ajuda, ele não consegue parar de pensar se o corpo que enterra é de alguém conhecido. Muitas vezes ele sente vontade de chorar, mas se segura. A glória do império não importa. Tudo o que ele quer é se aposentar e casar com sua noiva. Mas isso só acontecerá se os deuses o protegerem por mais 17 anos.