Cafeína e Estudos

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É no ano de vestibular que muitos alunos descobrem O CAFÉ. Pois é, são muitas noites sem dormir e uma demanda de energia para os estudos fora do comum. Pensando nisso, achamos importante deixar relatado para vocês como funciona a cafeína no nosso corpo. Além de você entender o efeito que deixa você super pilhado, ainda tem o bônus de você estudar um pouco de Biologia. 😉 Vamos começar?

Na real, todo ano, são mais de 100 mil toneladas de cafeína consumidas ao redor do mundo. Para vocês terem noção, isso equivale ao peso de 14 Torres Eiffel. É a droga mais consumida do mundo. A maior parte desse consumo é feito por meio do café ou chá, mas também faz parte desse número refrigerantes, chocolate, cafeína em comprimido, e até mesmo bebidas que são consideradas descafeinadas.

A cafeína nos mantém alertos, focados, alegres e energéticos, mesmo quando dormimos pouco. Ao mesmo tempo, pode aumentar nossa pressão sanguínea provocando ansiedade. Beleza, mas assim, como cafeína nos deixa acordado?

A cafeína evoluiu em plantas por algumas razões. Em doses altas, como encontrada em alguns tipos de folhas e sementes, é tóxica para insetos. Porém, quando consumida em doses baixas, como no néctar, faz com que os insetos lembrem e visitem novamente as flores.

No corpo humano, a cafeína age como um estimulante no sistema nervoso central. Ela nos mantém acordados, porque inibe uma das principais moléculas do nosso corpo que induzem ao sono: a adenosina.

Nosso corpo precisa constantemente de energia, e ele consegue ao quebrar a molécula de ATP. Nesse processo é liberado adenosina. Os neurônios do nosso cérebro possuem receptores no formato dessa substancia. Quando a adenosina encaixa no receptor, uma grande quantidade de reações bioquímicas acontecem fazendo com que os neurônios atuem de forma mais preguiçosa, e diminuindo a liberação de moléculas importantes. Em outras palavras, você fica com sono.

A cafeína é como se fosse o antagonista da adenosina. Ela evita esse processo de lentidão dos neurônios, pois bloqueiam os receptores de adenosina. Isso acontece porque ambos possuem o mesmo formato molecular, sendo assim, a cafeína consegue se encaixar nos receptores no lugar da adenosina de forma perfeito, mas que ainda não os ative.

Resumidamente, a adenosina inibe seus neurônios, já a cafeína, inibe os inibidores. Logo, a cafeína te estimula. Ela também pode dar um sentimento positivo. Em alguns neurônios, os receptores de adenosina estão ligados aos receptores de outra molécula, chamada dopamina. Um dos seus papeis no cérebro, é gerar sentimentos de prazer. Quando a adenosina se encaixa em um desses receptores, fica mais difícil da dopamina caber no seu espaço, interrompendo o seu humor. Porém, quando a cafeína toma o lugar da adenosina, o efeito é diferente. A dopamina consegue facilmente se encaixar no receptor.

Existe evidência de que o efeito da cafeína com a adenosina e a dopamina têm benefícios no longo-termo. Por exemplo, reduzindo o risco de doenças como Parkinson, Alzheimer e alguns tipo de câncer. A cafeína pode ajudar na queima de calorias. A propósito, algumas organizações esportivas consideram que a cafeína traz uma vantagem injusta aos atletas e, por isso, limitaram seu consumo. De 1972 a 2004, para competir, os atletas olímpicos possuíam um valor máximo permitido de concentração de cafeína no sangue.