Brexit: o que acontece com a saída do Reino Unido da União Europeia

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Os britânicos votaram a favor da saída do Reino Unido da União Europeia. O que significa que nos próximos meses, os britânicos e os líderes europeus começarão a negociar sua saída. Este acontecimento afetará a economia, as políticas migratórias e muito mais no território britânico. Demorará anos para que vejamos as consequências, mas as mudanças mais drásticas poderão ser sentidas nos próximos meses.

O artigo 50 do tratado da União Europeia define como um membro da UE pode sair. É preciso que o membro notifique a união e a comunidade é obrigada a tentar negociar a saída do país. A votação da última quinta-feira (23), não formaliza esse artigo. Pode ser que seja formalizado nas próximas reuniões nesta semana, ou que os políticos britânicos esperem alguns meses.

Assim que o Reino Unido notificar o artigo 50, há um espaço de 2 anos para que novas negociações sejam estabelecidas no lugar das atuais. Britânicos e membros da comunidade europeia teriam que discutir problemas como tarifas, migração e leis de mercado desde carros até agricultura.

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O Primeiro-Ministro, David Cameron

O primeiro-ministro, David Cameron, não era a favor da votação. Porém, em 2014, a pressão

Angela Merkel e David Cameron. Fonte: 360b / Shutterstock.com
Angela Merkel e David Cameron. Fonte: 360b / Shutterstock.com

cresceu com o aumento do número de imigrantes no país. Para tentar conter a pressão, Cameron prometeu realizar um referendo sobre a saída da União Europeia caso seu partido, o conservador, ganhasse as eleições de 2015.

Mesmo sendo contra a saída, Cameron manteve sua promessa e realizou o referendo. Entretanto, sempre manteve aberta sua preferência em continuar na União. Por outro lado, membros do próprio partido começaram campanhas para que os britânicos optassem pela saída. Após o resultado do referendo, David Cameron anunciou que renunciará a partir de outubro. Não se sabe o que acontecerá depois, mas é possível que Boris Johnson assuma. Ele também é membro do partido conservador, mas liderou a campanha a favor da saída.

Economia

A curto prazo, a relação do Reino Unido com a União Europeia é incerta e é possível que brexit 2uma recessão atinja o local. Desde sexta-feira (24), a moeda local, as Libras Esterlinas, perdeu 9% de valor e as bolsas de valores britânicas caíram em 10%.  Fora isso, a saída do Reino Unido pode indicar um problema para as empresas. Se você produz no Reino Unido, hoje, é possível vender para qualquer país da União Europeia, porém, isso irá mudar, e vender para fora será, além de complicado, caro pelas tarifas.

Com a saída de Cameron, as negociações com a União podem ser ainda piores para os britânicos. É possível que a União Europeia dificulte bastante as coisas para desencorajar outros países a fazerem o mesmo.

Imigração

Um dos maiores motivos do rompimento é a imigração. Um membro da UE poderia viver

tranquilamente no Reino Unido e um britânico poderia viver normalmente em qualquer país

da União. Com isso, são 1.2 milhão de britânicos vivendo em países da União e 3 milhões de

1000 Words / Shutterstock.com
1000 Words / Shutterstock.com

europeus não-britânicos vivendo no Reino Unido. Um acordo pode ser negociado, mas um dos pontos principais para o resultado do referendo foi a presença de imigrantes de países mais pobres da União, como Polônia e Lituânia. Assim, é esperado que esse acordo seja realmente suspenso. O que significa que muitos europeus com vidas estabilizadas e empregos no Reino Unido serão obrigados a deixar o local.

Dissolvendo o Reino Unido

Não menos importante, esse resultado pode afetar ainda mais a relação entre os membros brexit 4do Reino Unido, que no momento são: Irlanda do Norte, Inglaterra, Escócia e País de Gales. Na Escócia, 62% da população votou pela permanência, e vale lembrar que, em 2014, 44% dos escoceses votaram para se separarem do Reino Unido, essa pode ser a chance. Na Irlanda, a situação não é menos preocupante. A relação entre Irlanda do Norte e a República da Irlanda nunca foi das melhores, mas com a presença de ambas na União Europeia, o livre trânsito de pessoas entre os dois países facilitava manter a paz. Porém, com o fechamento da fronteira, a tensão pode aumentar.  Além disso, 56% dos irlandeses votaram para continuar na União Europeia.

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