Biologia da ressaca

Entenda o que ocorre no corpo humano durante uma ressaca.

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Biologia da ressaca

Todos nós conhecemos aquele tio que passa dos limites na hora de beber, não é verdade? O dia seguinte do álcool chega para cobrar, e junto com ele vem a ressaca. Dor de cabeça, náuseas, sede incessante, fadiga, tontura e uma série de outros sintomas que causa tortura no pós-comemoração. Mas por que isso acontece? O que é a ressaca e por que ela ocorre?

A ressaca é causada pela intoxicação do organismo e a desidratação prolongada devido ao álcool. Ambas causam todos os sintomas que presenciamos durante uma ressaca. Vamos entender como e por que esses sintomas ocorrem? 

Biologia da ressaca

O álcool inibe a liberação do ADH (antidiurético), que é um hormônio que atua nos rins e é responsável pela reabsorção da água no nosso corpo, o que faz com que boa parte da água que é filtrada pelos nossos rins seja reabsorvida, resultando na formação de uma urina mais concentrada, com menos água. Ou seja, poupa a água para o nosso organismo, o que é inclusive uma estratégia de sobrevivência adotada pelos seres vivos terrestres. Entretanto, quando o álcool inibe esse hormônio, começamos a liberar essa água ao invés de reabsorve-la e, é claro, essa liberação acontece nas famosas idas ao banheiro diversas vezes. No dia seguinte, a sede absurda sentida é o nosso corpo tentando recompensar aquela água que perdemos. Essa desidratação também desencadeia a perda de perda de alguns sais minerais, como o sódio e o potássio, e a ausência desses íons faz com que os músculos do corpo fiquem mais sensíveis, causando as dores no corpo.

Não podemos esquecer de mencionar o fígado, que trabalha arduamente enquanto ingere-se álcool. Ele é o principal órgão responsável pela metabolização de substâncias tóxicas lançadas na corrente sanguínea. Isso ocorre por meio das células do fígado, os hepatócitos, que possuem organelas especializadas na quebra do álcool em substâncias menos nocivas à saúde, sendo essas o peroxissomo e o reticulo endoplasmático liso. Eles liberam enzimas para quebrar o álcool, como por exemplo a álcool-desidrogenase que transforma o álcool em etanal/acetaldeído, que é um produto intermediário e que consegue ser mais tóxico que o próprio álcool. O acetaldeído provoca uma série de sintomas, como a dor de cabeça latejante, náuseas, ânsia de vômito, entre outros.

O álcool também afeta os neurotransmissores no seu cérebro. Basicamente, a bebida nos deixa eufóricos, porque ocorre um distúrbio nesses neurotransmissores que resulta em grandes quantidades de químicos de recompensa, como a dopamina. O cérebro se adapta a essa mudança e, quando o álcool vai embora, os neurotransmissores sofrem um desequilíbrio, porque depois da sensação de prazer que o álcool traz, quando eles não está mais ali o cérebro sente falta. Isso causa uma ansiedade e depressão, que faz com que surjam as famosas promessas de “nunca mais vou beber”. Esse desequilíbrio também pode desencadear sensibilidade à luz e ao som.

O álcool também irrita o estômago, pois ocorre um aumento na produção de suco gástrico e secreções intestinais, além de um acúmulo de ácido lático no seu corpo. Tudo isso pode causar enjoos, náuseas e diarreias.

Tudo isso é realmente horrível e quem já passou por uma ressaca sabe como esses sintomas são torturantes. A verdade é que não há uma cura melhor para a ressaca do que o tempo. Qualquer remédio só vai servir para ajudar em algum dos sintomas, mas a ressaca em si só pode ser curada pelo próprio corpo. Por fim, claro que ela não ocorre sempre no dia seguinte de uma festa ou uma cerveja com os amigos, ela aparece em casos em que os limites foram ultrapassados e o organismo ingeriu mais álcool do que o costume. Não se esqueça sempre de tomar bastante água também!

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