Aprovado em Direito na UFF

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O QGniano Rafael Santos concedeu um depoimento bonito e que nos encheu de orgulho! Olha que linda a história de superação e conquista dele!

Quantos anos tem?

Tenho 32 anos de idade.

Conte pra gente um pouquinho da sua história de vida.

Sou o filho mais novo dos oitos filhos que a minha mãe teve. Nasci, e vivenciei até os meus dezoito anos, dentro de uma comunidade carente, denominada Cidade Alta, em Cordovil, no Rio de Janeiro. Tive uma infância muito pobre. Inicialmente, morava dentro de um barraco de madeira e depois passei a residir no apartamento da minha avó materna, que era bem pequeno para caber nove pessoas. Muitas vezes, eu e a minha família não tínhamos o que comer. Geralmente, nos alimentávamos com a “merenda” doada que sobrava da escola. Em diversas ocasiões, minha mãe deixava de comer para alimentar os filhos, além de trabalhar muito em fábrica de costura, como costureira, e em casa de família, como faxineira, a fim de conseguir sustentar oito filhos, sozinha. A partir do final da minha infância e início da adolescência, as dificuldades começaram a diminuir, tendo em vista que um dos meus irmãos, ao completar 16 anos, decidiu trabalhar no Mc Donald’s, com o intuito de auxiliar no sustento da casa. Ele passou a ser o meu pai e também dos meus irmãos. Todo o seu rendimento era empreendido dentro de casa, em prol da família. Até aos dias de hoje, o meu irmão permanece empregado na referida empresa, tendo
completado 26 anos no mesmo emprego, no qual ocupa atualmente o cargo de auditor. Certamente, devo ao meu irmão, Wallace, e à minha mãe, Sônia Maria, todas as minhas conquistas e a pessoa que me tornei, sem desconsiderar o auxílio dos meus outros irmãos: Aleksander, Alessandra, Kelly Cristina, Wanderson, Janaina e Leonardo.

Estudei em escola pública durante o Ensino Fundamental I e II, bem como ao longo do Ensino Médio. Na época, ao concluir a última etapa da Educação Básica, não consegui ingressar na universidade por diversos motivos, inclusive porque não tinha as políticas públicas existentes na atualidade: Enem, SISU, Prouni, FIES. Contudo, no transcurso do tempo, fiz o curso de técnico em radiologia, concluído em 2007, e especialização em radiologia industrial, concluído em 2013. Mas não consegui emprego na área.

No entanto, após a conclusão do curso técnico e a antes da especialização técnica, ingressei no seminário teológico, para cursar Teologia, o que foi concluído com êxito. Em março de 2015, sofri um acidente de automóvel que me deixou com uma deficiência física permanente no membro superior esquerdo. Então, tive de repensar minha vida profissional. Assim sendo, entrei no curso de Pedagogia, na Universidade Estácio de Sá, no segundo semestre de 2016, no qual permaneço até a presente data.

No início do mês de maio de 2017, decidi iniciar os estudos para tentar ingressar no curso de História, numa universidade pública, por meio do Enem. Mas, com o resultado do Enem, e ao vislumbrar a média da nota de corte do SISU, na modalidade que concorria, percebi a possibilidade de ingressar em vários cursos, muitos mesmo. Então, escolhi o curso de Direito. Isto posto, o meu projeto, de agora em diante, é concluir o curso de Direito e Pedagogia, fazer mestrado e doutorado em Direito, e antes mesmo disso, ser aprovado para o concurso do Tribunal Regional do Trabalho, para o cargo de Analista Jurídico. No futuro, desejo trabalhar durante o dia no Tribunal e lecionar à noite, nas cadeiras de Direito, Pedagogia e Teologia, pois amo a educação e ensinar.

Onde mora?

Vila da Penha, na cidade do Rio de Janeiro – RJ.

Qual curso e faculdade você ingressou ou quer ingressar com sua nota?

No Enem, as minhas notas foram as seguintes:

(1) Matemática e suas Tecnologias: 532,20;

(2) Linguagens, Códigos e suas Tecnologias: 570,20;

(3) Ciências Humanas e suas Tecnologias: 639,20;

(4) Ciências da Natureza e suas Tecnologias: 520,70;

(5) Redação: 780.

Desse modo, a minha média geral no Enem foi de 608,46.

No tocante ao SISU, fui aprovado na minha primeira opção, ou seja, para
cursar Direito, turno integral, na Universidade Federal Fluminense (UFF), campus Niterói I, na modalidade de pessoa com deficiência. Na modalidade que concorri, havia duas vagas e fui aprovado em primeiro. A minha nota foi 608,46. Na segunda opção, que foi desconsiderada, haja vista a aprovação na primeira, havia escolhido o curso de Direito, turno integral, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na modalidade de pessoa com deficiência. A minha nota ficou 645,74 e a nota de corte 623,36. Logo, seria também
aprovado, na modalidade de pessoa com deficiência, se tivesse escolhido a UFRJ como primeira opção, de acordo com a classificação geral e final. Na modalidade que concorri, havia seis vagas e, segundo a minha nota, seria aprovado em quarto lugar.

Como conheceu e o que te fez escolher o QG do Enem?

Conheci o QG do Enem pesquisando sites de cursos preparatórios online para o Enem. Após analisar vários cursos, escolhi o QG e não me arrependi. O curso possui excelentes professores, bom material didático de apoio, que auxilia muito nos estudos, principalmente no momento da revisão.

Como você organizou seus estudos (pode dar dicas/conselhos para quem vai encarar o Enem agora?)

Iniciei os meus estudos para o Enem a partir de maio de 2017. Como tenho um bom tempo livre, estudava em média nove horas por dia, três horas em cada turno do dia. Houve período que fiquei alguns dias e/ou semanas sem estudar, porque tinha compromissos com os convites que recebo para dar palestras na área da educação cristã, e isso requer muita pesquisa e preparo. Então, às vezes, não conseguia cumprir o meu cronograma de estudos. Por esta razão, estudei pouquíssimo para Matemática e Ciências da Natureza, que são as minhas maiores dificuldades. Em contrapartida, estudei bastante para a prova de Linguagens, exceto inglês, e Ciências Humanas.

Sugiro aos que desejam obter uma excelente pontuação no Enem que administrem a disponibilidade de tempo que possuem, pois no mundo pós-moderno, se não tivermos cuidado, as tecnologias e as mídias sociais furtam o tempo que poderia se empregado nos estudos. Ao meu sentir, não existe aprovação sem renúncia. É necessário abrir mão de algumas coisas no dia a dia. Para tanto, é imprescindível ter objetivo, foco, disciplina e organização. 

O que espera do ano de 2018?

Penso que para o Enem de 2018, as questões estarão mais difíceis do que em 2017, sobretudo na prova de Matemática e suas Tecnologias, bem como em Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. A tendência é que o Enem seja um exame que vai requerer mais estudo e dedicação dos participantes que desejam ingressar numa universidade utilizando-o.

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Graduanda em Comunicação Social (Estácio de Sá) e Ciências Sociais (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Tem afinidade com a área de Ciências Humanas e é Analista de Mídia e Marketing. Ama gatos, viajar, ver séries e filmes de todos os tipos!