A Proclamação da República

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Crise imperial. Fortalecimento do movimento republicano. Formação das classes médias urbanas. Positivismo. Abolicionismo. Esse era o cenário nos últimos momentos da década de 1880. O caminho que se desenhou até o golpe que proclamou a República estava se estruturando no oposicionismo a Dom Pedro II.

O desagrado do exército quanto às posturas do imperador desde a Guerra do Paraguai (1864 – 1870) culminou com a disseminação dos ideais positivistas, que conquistou simpatia das classes médias urbanas que estavam se formando em oposição ao ruralismo. O ideal de República estava ganhando capilaridade dentre alguns setores sociais relativamente recentes.

A “Res Publica” – advinda do latim “coisa pública” – apresentou-se como uma alternativa modernizante que demonstrava como o Império seria algo ultrapassado e a ser superado pelo progresso político no Brasil. Nesse contexto, o movimento republicano buscou disseminar imagens nos impressos da figura de Dom Pedro II idoso, com barba branca, sentado, para trabalhar essa ideia de passado na essência imperial.

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Além disso, é também nesse período que a imagem de Tiradentes é transformada em mártir, como um herói que lutou pela República e acabou sendo assassinado pelas garras ditatoriais do Império. A romantização da morte Tiradentes foi uma alternativa encontrada pelo movimento republicano, que chegou a produzir a clássica obra em que ele é comparado à figura de Jesus Cristo. É interessante pensar como que isso, de alguma maneira, ainda perdura nos dias atuais.

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Em 1888, Isabel, em uma tentativa de conquistar a simpatia de setores populares – de certa maneira eficientemente – decreta o fim da escravidão com a Lei Áurea, no entanto, essa medida acabou por incitar um outro grupo à oposição do Império: os escravocratas, mais especificamente do Vale do Paraíba. O Império ficava sozinho e o oposicionismo crescente até que o Marechal Deodoro da Fonseca derruba a família real do trono e proclama a República em 15 de novembro de 1889.

É importante também ressaltar que a família real, principalmente, Dom Pedro II tinha bastante respeito dentre as classes políticas do país, até mesmo com alguns setores populares, já que teria sido o Império que teria abolido à escravidão. O 13 de Maio era uma das celebrações mais comemoradas nos anos subsequentes. A família real teria sido permitida por Deodoro da Fonseca a sair do país sem sofrer retaliações e viveriam na Europa até sua morte.

Por fim, o mais interessante de se pensar em relação a isso é uma análise de um historiador bem famoso chamado Leandro Karnal em que ele afirma que a História do Brasil é a História de Golpes. Se pararmos para refletir:

– 1822: um golpe proclama a independência

– 1840: um golpe leva ao trono Dom Pedro II, Golpe da Maioridade

– 1889: um golpe proclama a República

– 1930: um golpe leva Getúlio ao poder

– 1937: um golpe implementa a ditadura do Estado Novo

– 1945: um golpe derruba Getúlio do poder

– 1954: um contra-golpe garante a posse de JK

– 1964: um golpe instaura a Ditadura Civil-Militar