A linguística de “A Chegada”

O filme que suscitou temática importantíssimas em linguagens

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Postado: 9 de março, 2020
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O filme “A Chegada” (Arrival) protagonizado por Amy Adams foi muito aclamado pela crítica, em 2016, ano de sua estreia. Consoante ao seu sucesso, uma série de discussões a respeito da linguística e da comunicação foram feitas ao redor do longa, e até hoje ele é uma ótima indicação para quem se interessa por essas áreas.

O filme é baseado no conto A História da Sua Vida de Ted Chiang, e narra a chegada de 12 naves desconhecidas em diferentes partes do mundo, gerando temor e incerteza em toda população. Como as naves não reagem a nenhum estímulo e não emitem nenhum sinal ou mensagem, a doutora em linguística Louise Banks (Amy Adams) é chamada para tentar uma comunicação com os seres. Apesar de muito temor e pânico em relação aos recém chegados, os primeiros contatos são pacíficos. Dra Louise então começa a decodificar a língua dos heptapods com o passar dos meses, mas percebe que o contato com eles está modificando sua forma de enxergar o mundo, e é aí que a linguística entra.

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Em primeiro plano, é importante analisar que os grifos usados pelos heptapods são circulares, sem haver nem início nem fim, mostrando que a linguagem deles são possui direção, ao contrário da nossa. Desse modo, pode-se perceber que a grafia não-linear dos alienígenas na verdade se relaciona com a forma como eles percebem o tempo. Essa característica pode ser explicada com base na teoria linguística de sapir-whorf que afirma que a estrutura de uma língua é capaz de moldar as ideias e percepções de sua comunidade falante. Dessa forma, mostrando que língua e cognição são inseparáveis.

Por fim, vale ressaltar que A Chegada se trata de uma ficção científica que foge do poder masculino e das ciências exatas, apresentando uma mulher na posição de pesquisadora, que atua com o auxílio não da física ou da matemática, mas sim da linguística. Assim, percebemos que os famosos filmes de ficção podem fugir do óbvio e expandir sua visão sobre ciência e representatividade.