A Conquista da América

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América

Colombo, Cortez, Pizarro, Las Casas… Esses nomes são comuns para você? Essas figuras históricas estavam presentes no processo de colonização da América espanhola. Cada um deles com características únicas e, em algumas vezes inclusive, com visões divergentes a respeito da consolidação do processo de ocupação do território. Mas então, como se deu a conquista da América?

Ao primeiro olhar, parece inviável com a elevada demografia indígena na América que alguns milhares de europeus conseguissem efetivar um processo de conquista. Mas será mesmo que foi realmente conquistada? Vamos com calma! A superioridade bélica europeia não é suficiente para explicar o imenso genocídio indígena realizado no século XVI; também devemos levar em consideração a guerra biológica, a exploração de rivalidades internas, o processo de evangelização e múltiplos outros fatores, porém iremos nos concentrar nesses pontos.

O primeiro é o mais tranquilo de entender: superioridade bélica. As armas de fogo dos espanhóis realmente eram mais eficientes do que alguns utensílios de madeira dos nativos. No entanto, devemos nos ater aos próximos pontos, pois em contrapartida, os indígenas eram maioria absoluta e ao olhar por esse prisma, poderiam derrotar os inimigos em questão de quantidade.

A Guerra Biológica! Muitas doenças que nunca estiveram em contato com os nativos aportaram em solos americanos e encontraram uma população com uma imunidade biológica não preparada para enfrentar surtos de rubéola e varíola, por exemplo. Aqui devemos reter mais atenção, pois essa guerra biológica NÃO foi introduzida na América de maneira planejada, mas sim sem premeditações.

Quando lidamos com a palavra “Conquista”, isso nos remete a um processo em que os nativos sofreram com uma imposição de forças exteriores. No entanto, devemos relativizar essa questão. Cortez, por exemplo, só consegue derrotar a Confederação Asteca com ajuda militar e estratégia de outras tribos também rivais dos astecas. Ou seja, nesse processo, muitas tribos viam em Cortez um inimigo menor do que os astecas, apoiando-o na invasão. Isso faz com que a gente dê protagonismos a essas tribos indígenas, rompendo com essa ideia de imposição externa.

O que rege a vida desses nativos? Essa pergunta é fundamental para entendermos todo esse processo. Em sociedades em que a escrita não era desenvolvida e a ligação com a natureza era imensa, as idolatrias desses povos se confundem com a própria percepção do mundo indígena. O projeto de catequização, em contrapartida, representa a morte desse mundo. Não apenas uma religião, mas esse mundo como um todo.

Por fim, eis que pergunto-lhes: a América foi conquistada? O objetivo da colonização era a reprodução física da sociedade espanhola aqui na América, e o que observamos é um processo de aculturação que não impõe uma cultura europeia totalmente, mas que se mescla com a indígena, formando uma cultura diferente: o americano. E então, vamos parar de usar a palavra “conquista”? Ops, perdão pelo título! Não queria dar spoiler!

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Graduando em História na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). É mais ligado à área de humanas e atua hoje como monitor de História no QG do ENEM. Além de adorar a história de seu país, possui grande afeição com a cultura popular brasileira.