A atual questão indígena no Brasil

E se o tema da redação fosse: "A atual questão indígena no Brasil"? Confira dicas de abordagem para usar e arrasar na hora da prova.

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Postado: 14 de setembro, 2020
questão indígena

Quando se pensa em questão indígena no Brasil, grande parte do imaginário social remete a uma problemática de tempos coloniais. O processo de conquista ultramarina portuguesa contribuiu e muito para a extinção de diversas etnias, porém é importante ressaltar: a sobrevivência cultural e humana de povos originários é uma pauta muito atual!

Segundo o último censo levantado pelo IBGE em 2010, o Brasil possui 896 mil pessoas que se declaram indígenas, em que 57,5% (517 mil) habita terras oficialmente reconhecidas como reservas indígenas. Esses números, por mais que sejam dados simples, nos apresentam três desafios muito marcantes da atual questão indígena:

  • A expansão dos processos de demarcação de terras;
  • A preservação dessas terras;
  • Inclusão social daqueles povos que habitam núcleos urbanos;

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Pensando em termos de formulação de uma redação, esses três pontos podem enriquecer muito uma dissertação argumentativa, pois podem servir como base tanto de sua argumentação, como na hora de propor intervenções a respeito da atual questão indígena.

Nesse sentido, é importante ressaltar que o fator terra é importantíssimo para povos indígenas. Isso porque demarcam noções de pertencimento de determinado local. Como é visto em Geografia, o conceito de “lugar” envolve questões afetivas e conexões simbólicas com determinada região.

Em “Ideias para adiar o Fim do Mundo”, Ailton Krenak – historiador e importante intelectual indígena – demonstra a importância dessa conexão indivíduo – espaço:

“Tem uma montanha rochosa na região onde o rio Doce foi atingido pela lama da mineração. A aldeia Krenak fica na margem esquerda do rio, na direita tem uma serra. Aprendi que aquela serra tem nome, Takukrak, e personalidade. De manhã cedo, de lá do terreiro da aldeia, as pessoas olham para ela e sabem se o dia vai ser bom ou se é melhor ficar quieto. Quando ela está com uma cara do tipo “não estou para conversa hoje”, as pessoas já ficam atentas. Quando ela amanhece esplêndida, bonita, com nuvens, toda enfeitada, o pessoal fala: “Pode fazer festa, dançar, pescar, pode fazer o que quiser”.”

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o Fim do Mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Assim, percebemos que não é uma questão de realocação desses povos, mas sim de preservar essa identidade cultural e noções de pertencimento daquele lugar. Uma questão prevista na Constituição federal de 1988 e que possui a FUNAI como uma importante instituição de garantia desses direitos. Dois agentes muito importantes para uma proposta de intervenção.

Dicas do professor

Para dar algumas dicas sobre como desenvolver esse tema em uma possível redação, o professor do QG do ENEM, Diego Dias, apresentou alguns recursos argumentativos. Segundo ele:

“Como contextualização, eu consigo pensar em 4 grandes grupos: dados levantados pela FUNAI; a representação do indígena na Literatura e suas construções ideais no Romantismo e Modernismo (por exemplo); filmes contextualizadores como Xingu, Tainá – Uma Aventura na Amazônia e até mesmo Pocahontas; por último, podemos inclusive recorrer a lendas indígenas, como o Curupira, Boitatá, Iara e tantas outras.”

Como argumentação, o professor Diego Dias apresentou alguns caminhos:

“No argumento 1, a gente precisa atentar para como o Estado historicamente é negligente com a questão da terra, como na demarcação de terras indígenas, a expansão do agronegócio e privilégios a ruralistas. Já no argumento 2, é importante também expandir essa responsabilidade para além do Estado. Enquanto que o Estado fica responsável pela negação da terra, a sociedade possui grande culpa na inferiorização da identidade indígena, na desvalorização linguística, educacional, midiática e diversos outros setores.”

Por fim, com relação à proposta de intervenção, o professor deu algumas ideias:

“A gente pode pensar numa reestruturação social. Na escola inserindo práticas de ensino lúdicas de orientação e desconstrução de uma ideia inferiorizada de indígena. Além da mídia, como também importante para o rompimento de esteriótipos a respeito do indígena.”

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