8 Conceitos Básicos para Entender as Classes Sociais

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A Sociologia esteve muito presente na prova do Enem 2015. Pensando nisso, separamos algumas informações básicas para vocês entenderam os conceitos das Classes Sociais na Sociologia. Bons estudos:

  1. Embora a ideia de classes sociais seja bem importante para a Sociologia, não há uma única definição para ela. Uma das formas de delimitação de classes é por meio do consumo, de modo a dividir os indivíduos em cinco grupos principais: a, b, c, d, e, que expressam um nível decrescente no poder de consumo em função do salário;
  1. Outra possibilidades é diferenciar ricos de pobres por meio de termos como classe baixa, média e alta; elite e massa; povo e poderosos; patrão e empregados. Essas formas de classificação podem ser usadas de maneira intercambiável. O princípio subjacente dessas noções ordinárias é o mesmo, buscar compreender a distância social entre seus membros. Deste modo, atentam ao fato de que os sujeitos são diferentes, ocupam diferentes posições na hierarquia social. Mas, em geral, para a Sociologia, classe não marca só uma diferença, mas uma relação de dominação e de subordinação;
  1. Além da ênfase ao fato das classes revelarem posições desiguais na hierarquia social, presume que há outros compartilhamentos que permitem sua caracterização: poder, prestígio, riqueza, valores sociais, salário, posição no mercado de trabalho, estilo de vida são algumas das dimensões comumente apontadas como formadoras das classes sociais;
  1. A questão econômica tende a ser fundamental em sociedades capitalistas, embora em outras estruturas sociais seja bem menos relevante;
  1. Numa abordagem marxista, a classe é marcada, sobretudo, pela distinção de posição no processo produtivo, recusando assim a dimensão de consumo como determinante. Seriam consideradas classes: proprietários de terra, burguesia (industrial, financeira), pequena burguesia ou média e trabalhadora ou operária. Para Marx, a luta entre classes é a base da história da humanidade. De maneira simplificada, haveria dois grupos básicos, o de detentores dos meios de produção e o de apenas detentores de sua própria força de trabalho. Se fosse por posição de mercado de trabalho ou por renda, o número de classes se multiplicaria significativamente, rompendo com a possibilidade de uma consciência comum que possibilitaria uma ação revolucionária;
  1. Em função de suas controvérsias, muitos defendem que esse conceito não deve ser utilizado já que teria pouco potencial explicativo da sociedade e das relações sociais. Argumentos individualistas e relativistas se combinam nesse sentido, apontando para a uma compreensão do mundo constituído por indivíduos livres, não existindo objetivamente essa grande divisão de classe entre eles. Essa leitura ganharia força na medida em que se relaciona com um argumento histórico, aceitando a relevância do conceito de classe apenas para a sociedade moderna, capitalista e industrial, mas não para os dias atuais, por manifestar outra lógica de funcionamento da sociedade. Com isso, tais críticas favoreceram a visualização das classes como fenômenos contingentes, variáveis historicamente. Nesse sentido, a burguesia não existiu em toda a história da humanidade e, principalmente, não foi sempre a classe dominante. Para tornar mais claro, apresento dois quadros que expõe divisões de classe, o primeiro refere-se ao feudalismo e o segundo ao capitalismo. É importante não perder de vista que tratam-se apenas de formas de organizar a realidade e que por isso poderiam ser elaboradas de modos diferentes;

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7.  Ao mesmo tempo que classes desapareceram, outras surgiram ou se tornaram dominantes. Discute-se atualmente a pertinência de analisar classes por meio do antagonismo entre proletários e burgueses. Acredita-se tratar de uma relação anacrônica, uma vez que esta oposição teria sido estruturante apenas no século XIX e parte do XX, não sendo ela atualmente a mais adequada para compreender a estrutura social. Nesse sentido, afirma-se o surgimento na década de 1950 de uma classe de gerentes responsáveis por administrar as empresas capitalistas;

8.  Não se deve perder de vista que as classes não são um fenômeno universal em dado momento histórico, já que em cada estrutura social há uma dinâmica própria.