4 de Julho – Independência dos Estados Unidos

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Em 4 de julho de 1776, os colonos norte-americanos resolveram romper definitivamente com a Inglaterra, proclamando a independência. A consagração da independência foi simbolizada pela carta de 1787, que fazia necessária a suspensão temporária de divergências latentes entre os “dois mundos” que compunham a União norte americana. De um lado, havia estados voltados ao desenvolvimento capitalista, ao protecionismo, à unificação do sistema financeiro e à integração do território através do transporte ferroviário. Mas do outro, estava a plantation sulista, escravocrata e livre cambista. Apesar de inicialmente bem sucedida, a suspensão das rivalidades entre o norte e o sul não conseguiu suportar as transformações provocadas pelo próprio desenvolvimento do país, impulsionadas pela expansão territorial, pelo enorme contingente de imigrantes e pela necessidade de reabilitação financeira após a guerra de independência.

Naquela época, o território norte-americano correspondia somente às 13 colônias inglesas, mas como chegou a ocupação de 8 milhões de metros quadrados em 60 anos? O presidente George Washington atraiu imigrantes, principalmente, da Irlanda, Inglaterra, Itália e Alemanha visando a ampliação das áreas litorâneas (pensando no comércio com o Oriente), a busca de metais preciosos, o aumento da produção de matérias primas e a integração do território através de ferrovias. Com isso, os homens de fronteira foram os responsáveis pelos massacres dos indígenas no Oeste.

Neste momento, fica claro que estes interesses eram demandas específicas da burguesia nortista que começará a sofrer ataques constantes da aristocracia sulista que se sentia cada vez mais menos privilegiada.

(Emanuel Leutze's Westward the Course of Empire Takes Its Way (1861)
(Emanuel Leutze’s Westward the Course of Empire Takes Its Way (1861)

A expansão foi fortemente marcada pelo puritanismo. Os responsáveis pela expensão acreditavam que a missão era divina e que era uma tarefa delegada a eles, pioneiros e predestinados. Este fato deu um caráter místico à marcha para o oeste. Um destino opulento, uma responsabilidade inevitável era incorporada por aqueles homens: era a ideologia do Destino Manifesto.

Subsidiando a expansão, o governo ia comprando territórios e liberando-os para a ocupação. A Louisiana é comprada dos franceses em 1803; a Flórida é comprada da Espanha em 1819; o Oregon é cedido pela Inglaterra em 1847.

Em meio a tudo isso, setores escravocratas do sul iniciam a ocupação do território do Texas, então pertencente ao México. As tensões teriam como ápice a guerra direta entre os dois países entre 1846 e 1848.

A eleição de Abraham Lincoln em 1860, marcou a eleição do partido republicano que era a favor da abolição da escravidão e protecionismo alfandegário. Assim, foi imediata a reação dos senhores de escravos da Carolina do Sul que se declararam fora da União.

A reação foi em cadeia e nos 4 meses seguintes, onze estados do sul formaram a Confederação dos Estados Unidos com o presidente Jefferson Davis. Em abril de 1861, um ataque confederado ao Forte Sumter dá início àquela que é considerada a primeira das grandes guerras modernas, a guerra de secessão.

Alguns fatores explicam a vitória dos nortistas: a maior população, permitindo maior contingente militar, a indústria que permitiu o esforço bélico, a existência de ferrovias que permitiram o transporte das tropas, o bloqueio da costa sul decretado por Lincoln, impedindo a exportação de algodão e o abastecimento de armas.

estados unidos guerra secessão

No total, a Guerra Civil americana contabilizou 10.000 batalhas. Esta encerrou-se com um Sul exausto e batido, obrigando a rendição do general Robert Lee no Palácio da Justiça em Appomatox, na Virgínia, perante o general Ulisses Grant, no dia 9 de abril de 1865. Os Estados Unidos tiveram 624.511 mortos, um pouco menos do que os americanos perderam em todas as guerras que participaram até os dias de hoje, que apontam para 636.237 mortos. O sul derrotado é ocupado militarmente e se inscreve compulsoriamente nos interesses capitalistas do norte. Não à toa, é possível estabelecermos algumas relações entre a reconstrução imposta pelos vencedores e o surgimento de sociedade segregacionistas como a Ku-Klux-Klan e os Cavaleiros da Camélia Branca, rejeitando a incorporação do negro determinada pela emenda XIII à constituição norte americana.

(Fuvest) Ao final da Guerra de Secessão, a constituição dos Estados Unidos sofreu a XIII Emenda, que aboliu a escravidão. Os brancos sulistas: 
a) abatidos, emigraram em massa, para não conviver com os negros em condições de igualdade política e social.
b) inconformados com a concessão de direitos aos negros, desenvolveram a segregação racial e criaram sociedades secretas que os perseguiam.
c) arruinados, tiveram suas terras submetidas a uma reforma agrária e distribuídas aos ex-escravos.
d) desanimados, abandonaram a agricultura e voltaram-se para a indústria, a fim de se integrarem à prosperidade do capitalismo do norte.
e) recuperados, substituíram as plantações de algodão por café, contratando seus ex-escravos como assalariados.
GABARITO: B