Vestibular Uerj 2017 – Análise do livro A hora da estrela, de Clarice Lispector

A Hora da estrela é um clássico da 3ª geração do modernismo. Foi o último romance publicado em vida por Clarice Lispector.

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Conforme anunciado, o próximo Vestibular Estadual da UERJ resgata a lista de livros de literatura. Os livros escolhidos foram os seguintes:

– 1º Exame de Qualificação: Primeiras estórias, de João Guimarães Rosa (Contos A terceira margem do rio e O espelho);

– 2º Exame de Qualificação: A hora da estrela, de Clarice Lispector;

– Exame Discursivo (Prova de Língua Portuguesa Instrumental): Dom Casmurro, de Machado de Assis;

– Exame Discursivo (Prova específica de Língua Portuguesa e Literaturas): Morte e vida severina, de João Cabral de Melo Neto, e Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago;

Qgnianos, hoje vamos conhecer um pouco mais sobre o livro A hora da estrela, de Clarice Lispector.

Análise do livro A hora da estrela, de Clarice Lispector

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A Hora da estrela é um clássico da 3ª geração do modernismo. Foi o último romance publicado em vida por Clarice Lispector.  É a única de suas obras que enfatiza aspectos da realidade objetiva e manifesta uma intenção explicitamente social.

Narração

A história é narrada em primeira pessoa por um narrador onisciente: Rodrigo S.M relata a vida da jovem nordestina Macabéa, ao mesmo tempo em que nos mostra os sonhos, as manias e os conflitos internos da menina.

Tempo e espaço

A história se passa no Rio de Janeiro. O tempo da narrativa, mesmo com alguns flashbacks, mostra-se cronológico e linear, mas não identifica o ano em que ocorre (provavelmente anos 1960 ou 1970).

Personagens

Macabéa é a personagem central da narrativa. A Nordestina (alagoana), de 19 anos, vem para o Rio de Janeiro onde passa a trabalhar como datilógrafa e mora em uma pensão junto com quatro moças.

Olímpico de Jesus é o primeiro (e único!) namorado de Macabéa. Também é nordestino. Procura ascensão social a qualquer preço, mesmo que seja através do roubo ou assassinato.

Rodrigo S. M. é o narrador-personagem da história. Ele tem domínio absoluto sobre o que escreve. Ele narra os conflitos existenciais da protagonista, bem como os seus.

Glória é única amiga de Macabéa. Trabalham juntas. Ela rouba Olímpico de Macabéa.

Sinopse

A história de Macabéa é contada passo a passo por seu autor, o escritor Rodrigo S.M. (um alter-ego de Clarice Lispector), de uma forma que os leitores acompanhem o seu processo de criação. À medida que a alagoana vai sendo apresentada, órfã de pai e mãe, criada por uma tia, desprovida de qualquer encanto, incapaz de comunicar-se com os outros, o leitor conhece um pouco mais sua própria identidade. A descrição do dia-a-dia de Macabéa na cidade do Rio de Janeiro como datilógrafa, o romance com Olímpico de Jesus, seu relacionamento com o patrão, sua amizade com a colega Glória, e o encontro final com a cartomante são convites constantes ao leitor para ver com o autor de que matéria é feita a vida de um ser humano.

Fica a dica

Em “A Hora da Estrela”, há algumas das principais características da terceira fase do modernismo no Brasil (posteriores aos romances regionalistas). Como por exemplo, o uso da análise psicológica mais aprofundada dos personagens, que mostra, através da narrativa interior, o fluxo de consciência e o intimismo. No plano formal, há a preocupação por uma linguagem mais elaborada, a utilização inusitada da pontuação, ou mesmo sua ausência, as metáforas e a metalinguagem.

Foca na questão

Enem 2013. Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.

(…)

Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer? Se antes da pré-pré- história já havia os monstros apocalípticos? Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevo o que estou escrevendo. […] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes.

Como eu irei dizer agora, esta história será o resultado de uma visão gradual – há dois anos e meio venho aos poucos descobrindo os porquês. É visão da iminência de. De quê? Quem sabe se mais tarde saberei. Como que estou escrevendo na hora mesma em que sou lido. Só não início pelo fim que justificaria o começo – como a morte parece dizer sobre a vida – porque preciso registrar os fatos antecedentes.

LISPECTOR, C. A hora da estrela. Rio de Janeiro:  Rocco, 1998 (fragmento).

A elaboração de uma voz narrativa peculiar acompanha a trajetória literária de Clarice Lispector, culminada com a obra A hora da estrela, de 1977, ano da morte da escritora. Nesse fragmento, nota-se essa peculiaridade porque o narrador

a) observa os acontecimentos que narra sob uma ótica distante, sendo indiferente aos fatos e às personagens.

b) relata a história sem ter tido a preocupação de investigar os motivos que levaram aos eventos que a compõem.

c) revela-se um sujeito que reflete sobre questões existenciais e sobre a construção do discurso.

d) admite a dificuldade de escrever uma história em razão da complexidade para escolher as palavras exatas.

e) propõe-se a discutir questões de natureza filosófica e metafísica, incomuns na narrativa de ficção.

Comentário

 A particularidade da voz narrativa de Clarice Lispector surge neste fragmento de “A hora da estrela” em um sujeito que, com a visão crítica da linguagem, ao invés de narrar, tece reflexões sobre questões existenciais (como se estivesse em crise), quando diz “Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas, continuarei a escrever.” e sobre a própria construção do discurso, como texto, quando diz “como eu irei dizer agora, esta história…”.

Gabarito: c

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