Questões de História do Enem 2015

Frequentemente, algumas questões partem de temáticas contemporâneas para avaliar se o candidato tem conhecimento do passado.

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As questões de História do Enem, geralmente, são compostas por textos longos e rebuscados que pedem boa leitura, interpretação e articulação com os conteúdos estudados no Ensino Médio. Uma dica importante, é saber relacionar acontecimentos antigos com temas atuais pertinentes ao assunto. Frequentemente, algumas questões partem de temáticas contemporâneas para avaliar se o candidato tem conhecimento do passado. O contrário também é cobrado. Nessa direção, o candidato deve se habituar à leitura, explorando textos mais extensos e complexos.

  1. (Enem 2015)

Os calendários são fontes históricas importantes, na medida em que expressam a concepção de tempo das sociedades. Essas imagens compõem um calendário medieval (1460-1475) e cada uma delas representa um mês, de janeiro a dezembro. Com base na análise do calendário, apreende-se uma concepção de tempo

a) Cíclica, marcada pelo mito arcaico do eterno retorno.

b) Humanista, identificada pelo controle das horas de atividade por parte do trabalhador

c) Escatológica, associada a uma visão religiosa sobre o trabalho.

d) Natural, expressa pelo trabalho realizado de acordo com as estações do ano.

e) Romântica, definida por uma visão bucólica da sociedade

Gabarito: alternativa D

Comentário: a questão cobra do aluno o conhecimento acerca das temporalidades do período medieval. Na arte expressa, aparece uma concepção de tempo voltada para as estações do ano, divididas em 12 imagens; ou seja, 12 meses. Com essa noção, já é possível eliminar as demais alternativas. Além disso, todas as imagens nos remetem a pessoas trabalhando.

2.(Enem 2015) Em sociedade de origens tão nitidamente personalistas como a nossa, é compreensível que os simples vínculos de pessoa a pessoa, independentes e até exclusivos de qualquer tendência para a cooperação autêntica entre os indivíduos, tenham sido quase sempre os mais decisivos. As agregações e relações pessoais, embora por vezes precárias, e, de outro lado, as lutas entre facções, entre famílias, entre regionalismos, faziam dela um todo incoerente e amorfo. O peculiar da vida brasileira parece ter sido, por essa época, uma acentuação singularmente enérgica do afetivo, do irracional, do passional e uma estagnação ou antes uma atrofia correspondente das qualidades ordenadoras, disciplinadoras, racionalizadoras.

HOLANDA, S. B. Raízes do Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 1995.

Um traço formador da vida pública brasileira expressa-se, segundo a análise do historiador, na:

a) Rigidez das normas jurídicas.

b)Prevalência dos interesses privados.

c)Solidez da organização institucional.

d)Legitimidade das ações burocráticas.

e)Estabilidade das estruturas políticas.

Gabarito: alternativa B

Comentário:  o texto baseia-se na ideia de que as interações humanas na construção da cultura brasileira estão historicamente ligadas às questões pessoas dos agentes históricos. Como traço peculiar cultural, Sergio B. de Holanda enaltece a prevalência, a maior importância, dos interesses privados/pessoais em detrimento das relações públicas/políticas.

Podemos confirmar isso em trechos como: “Em sociedade de origens tão nitidamente personalistas como a nossa”; “As agregações e relações pessoais, (…) faziam dela um todo incoerente e amorfo” e “o peculiar da vida brasileira parece ter sido (…) uma acentuação enérgica do afetivo, do irracional, do passional.

3.(Enem 2015)

ZIRALDO. 20 anos de prontidão. In: LEMOS, R. (Org.). Uma história do Brasil através da caricatura (1840-2001). Rio de Janeiro: Letras & Expressões, 2001.

No período de 1964 a 1985, a estratégia do Regime Militar abordada na charge foi caracterizada pela

a) priorização da segurança nacional.

b) captação de financiamentos estrangeiros

c) execução de cortes nos gastos públicos.

d) nacionalização de empresas multinacionais.

e) promoção de políticas de distribuição de renda.

Gabarito: alternativa B

Comentário: as personagens da charge discutem sobre a entrada de capital estrangeiro no Brasil. Essa – para sustentar o modelo de “milagre econômico” – foi uma estratégia intensamente utilizada pelo regime militar ditatorial no Brasil. Tais captações vai gerar um grande endividamento do Brasil no mercado internacional, o que – em parte – explica a década dita “perdida” de 1980 para a economia.

4.(Enem 2015)

Texto I:

Em todo o país a lei de 13 de maio de 1888 libertou poucos negros em relação à população de cor. A maioria já havia conquistado a alforria antes de 1888, por meio de estratégias possíveis. No entanto, a importância histórica da lei de 1888 não pode ser mensurada apenas em termos numéricos. O impacto que a extinção da escravidão causou numa sociedade constituída a partir da legitimidade da propriedade sobre a pessoa não cabe em cifras.

ALBUQUERQUE. W. O jogo da dissimulação: Abolição e cidadania negra no Brasil. São Paulo: Cia. das Letras, 2009 (adaptado).

Texto II:

Nos anos imediatamente anteriores à Abolição, a população livre do Rio de Janeiro se tornou mais numerosa e diversificada. Os escravos, bem menos numerosos que antes, e com os africanos mais aculturados, certamente não se distinguiam muito facilmente dos libertos e dos pretos e pardos livres habitantes da cidade. Também já não é razoável presumir que uma pessoa de cor seja provavelmente cativa, pois os negros libertos e livres poderiam ser encontrados em toda parte.

CHALHOUB, S. Visões da liberdade: uma história das últimas décadas da escravidão na Corte. São Paulo: Cia. das Letras, 1990 (adaptado).

Sobre o fim da escravidão no Brasil, o elemento destacado no Texto I que complementa os argumentos apresentados no Texto II é o(a)

a) Variedade das estratégias de resistência dos cativos.

b) Controle jurídico exercido pelos proprietários.

c) Inovação social representada pela lei.

d) Ineficácia prática da libertação.

e) Significado político da Abolição.

Gabarito: alternativa E

Comentário: a opção que melhor representa a complementação textual é a letra E. O texto I é claro ao tratar a abolição da seguinte forma: “a importância histórica da lei de 1888 não pode ser mensurada apenas em termos numéricos. ” Com isso, a afirmação do texto II “já não é razoável presumir que uma pessoa de cor seja provavelmente cativa, pois os negros libertos e livres poderiam ser encontrados em toda parte. ” Denota a preocupação e ambos os autores com o significado político da abolição, para além de voluptuosos números provenientes da Lei Áurea.

  1. (Enem 2015)

Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino.

BEAUVOIR, O segundo sexo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. 1980.

Na década de 1960, a proposição de Simone de Beauvoir contribuiu para estruturar um movimento social que teve como marca o (a)

a) Ação do Poder Judiciário para criminalizar a violência sexual.

b) Pressão do Poder Legislativo para impedir a dupla jornada de trabalho.

c) Organização de protestos públicos para garantir a igualdade de gênero.

d)Oposição de grupos religiosos para impedir os casamentos homoafetivos.

e) Estabelecimento de políticas governamentais para promover ações afirmativas.

 Gabarito: alternativa C

Comentário:  a construção do movimento feminista está fortemente ligada à personagens como Simone de Beauvoir. Fruto das manifestações da contracultura da década de 1960 europeia e da influência das esquerdas, muitos foram os protestos pela igualdade de gênero promovidos pelo movimento feminista na segunda metade do século XX. Com a popularização da causa, a filósofa em questão viaja pelo mundo nas suas últimas décadas de vida buscando difundir seus ideais.

https://www.enem.com.br/cursosenem/curso-enem—ciencias-humanas

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