Enem de Dezembro 2016: comentários do tema e das provas

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Com as ocupações estudantis e o adiamento do Enem para mais de 270 mil candidatos, muitos estudantes ficaram com medo do segundo exame, que aconteceu no último final de semana (03 e 04 de dezembro), aparecer com questões ainda mais difíceis do que as do primeiro. Na primeira aplicação do exame, realizada nos dias 05 e 06 de novembro, as provas de Linguagens e Matemática foram consideradas, por muitos, bem complexas.

Mas as provas desta segunda aplicação, em geral, foram consideradas, pelos professores do QG, com o mesmo nível de dificuldade. Para o professor de matemática Sandro Davison e a professora de português Lúcia Deborah, as provas de Matemática e suas tecnologias e Linguagens, do Enem de dezembro, tiveram um nível de dificuldade bem semelhante às provas anteriores.

“— O nível estava muito parecido com o da prova de novembro. O Enem é cada vez menos generalista e mais específico e aprofundado. Mesmo temas que tinham uma abordagem voltada para situações reais, como geometria espacial, agora são abordados com uma visão clássica. Se o aluno focou seu estudo a partir da linha cobrada na prova de novembro, certamente levou vantagem agora” — avaliou Davison em entrevista para o jornal O Globo.

“— A prova estava equilibrada, manteve a tradição de apresentar gêneros textuais diversificados como receita, propaganda, poema, prosa, notícias. Cobrou assuntos que a gente sabe que sempre vão aparecer como variabilidade linguística. E mais uma vez, a Gramática aparece aplicada ao texto, como de costume” – analisou a professora Lúcia Deborah.

Já o professor de Física Fábio Vidal, disse que caiu alguns assuntos que há muito tempo não eram cobrados pelo Enem, como máquinas térmicas e capacitadores. No entanto, para o professor Vidal os exercícios foram mais diretos do que os do exame de novembro.  As questões de Química, por outro lado, tiveram enunciados que exigiram mais teoria e de forma mais aprofundada que a primeira prova – de acordo com professor Roberto Mazzei.

“— Novamente, assuntos como efeito estufa e meio ambiente foram muito contemplados. A única coisa que pode ter confundido o aluno é que, em uma mesma questão, havia uso de diversas unidades de medida diferentes” – comentou Mazzei.

Em novembro, o Enem também teve algumas questões polêmicas de Ciências Humanas em que existiam duas respostas possíveis, porém uma era “mais certa” que a outra. O professor de Geografia Leandro lima também chegou a elogiar, na entrevista ao jornal, a existência de uma mesma temática presente no contexto das questões e da redação.

“— Isso começou a ser posto em prática ano passado e ocorreu tanto no exame do mês passado quanto na prova deste final de semana — afirmou Lima. — Em geral, as questões de Geografia foram equilibradas, em comparação com a prova anterior. Mas mostraram uma preocupação maior com questões sociais do que com conceitos.”

TEMA REDAÇÃO DO ENEM DE DEZEMBRO

Nas últimas edições, o Exame Nacional do Ensino Médio tem adotado temas de redação voltados para questões relacionadas às minorias. E na segunda aplicação do exame em 2016, o tema “Caminhos para combater o racismo no Brasil” não fugiu da tendência. Para o nosso professor de Redação, Raphael Torres, o MEC soube nivelar bem os temas das duas aplicações do exame.

“- O que chama atenção é uma coincidência parcial no que diz respeito à estrutura da proposta: o MEC mais uma vez fala em ‘caminhos para combater’ (…) O racismo é um fato social lamentável que está dentro do campo semântico de intolerância, assim como na primeira proposta- explicou Torres ao jornal O Globo – É uma clara estratégia de tentar criar uma espécie de equilíbrio entre os temas da primeira e da segunda prova. Um fala sobre intolerância no que diz respeito à religião e outro, no que diz respeito à questão étnica.”

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