Enem 2016: redação modelar

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Os professores do QG do Enem estão correndo para oferecer a vocês o gabarito ao vivo das provas do Enem 2016. Enquanto isso, disponibilizamos para vocês uma redação modelar do tema “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”, escrita pela professora Carolina Pavanelli. Confira uma abordagem possível para o tema proposto:

CAMINHO SEM VOLTA

Em meados do século XX, Mahatma Gandhi, na Índia, estabeleceu a desobediência civil, pois sabia que armas e guerra não seriam a melhor forma de resolver problema algum. Hoje, décadas depois, o indiano ficaria horrorizado com os rumos tomados no que tange à intolerância religiosa. A sociedade mundial, apática e inerte, já não se choca como outrora com pessoas se autoexplodindo. Aqui no Brasil, gostamos de pensar que somos um país plural, mas estamos longe de respeitar a pluralidade religiosa. Aos poucos, nos encaminhamos para um caminho que parece sem volta. Porém, ainda há tempo de mudar a direção.

Em primeiro lugar, é preciso seguir o caminho da desconstrução de estereótipos que ratificam preconceitos. Temos um passado histórico de imposição de uma religião, a católica, em detrimento das demais, dado que os padres jesuítas eram enviados para “salvar a alma” dos índios. Com isso, as crenças nativas e, posteriormente, as de matriz africana foram sufocadas e denegridas. Essa cultura persiste, o que é comprovado pelo fato de religiões como candomblé e umbanda serem generalizadas como “macumba” e vistas como algo ruim. Somam-se a isso discursos escusos de políticos corruptos em nome da religião, aumentando a desconfiança das pessoas.

Esse caminho da desconstrução deve aliar-se a outro e ficar ainda mais amplo: o do reconhecimento, por parte da população, desse crime. Porque existe o dito popular “não se discute religião”, poucos sabem que agressões ou ofensas verbais constituem atos criminosos. Ter uma crença – e não sofrer preconceito por ela – é um direito garantido pela nossa constituição e um pilar democrático. Por isso, nem mesmo brincadeiras em tom jocoso devem ser aceitas. Para isso, pessoas como o bispo que apareceu chutando uma santa e o indivíduo que apedrejou uma criança que saía de um centro espírita devem ser devidamente punidos de acordo com a lei.

Portanto, fica claro que a estrada para a tolerância religiosa é longa e feita de caminhos que necessitam ser percorridos. É preciso uma forte ação educacional das escolas para propagar o conhecimento sobre as várias religiões do Brasil e a aceitação de todas elas. Já ao governo – que nunca deve deixar de ser laico – cabe investigar esses crimes e punir efetivamente os criminosos intolerantes. Certa feita, Gandhi disse: “não há caminhos para a paz, a paz é o caminho”. Que consigamos compreender e efetivar esse ensinamento, entendendo que a única saída possível para sobrevivermos é o respeito e a empatia. Só assim poderemos realmente percorrer um caminho sem volta, mas de forma positiva: afinal, no lugar de rumar para a perpetuação da violência, que nosso norte seja a paz.”

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Formada em Comunicação Social, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), trabalha há mais de 2 anos com conteúdo para blogs e redes sociais. Atualmente, é responsável pelo Marketing e pelo Blog do QG do Enem.

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