Educação Financeira nas Escolas é Possível?

De acordo com Eliane, “essa história de dizer que dinheiro não é assunto de criança não deve existir”.

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Segundo o Ministério da Educação (MEC), “Educação Financeira” foi um dos temas apontados para integrar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). De acordo com o MEC, o tema ganhou destaque desde a crise econômica mundial, em 2008.

A sociedade está cada vez mais consciente da importância de prover educação financeira nas escolas.  A premissa básica para que isso aconteça é parar com “essa história de que dinheiro não é assunto de criança”, como defende a pedagoga financeira Eliane Martins. 

De acordo com Eliane, “essa história de dizer que dinheiro não é assunto de criança não deve existir”. Segundo ela, desde muito pequenas, a partir de 3 anos, as crianças já podem começar a ser apresentadas a um conceito básico sobre dinheiro: o de que ele acaba.

Essa ideia deve ser transmitida desde cedo à criança, assim que ela começar a pedir para comprarem coisas. Então, será mais fácil ensiná-la a cuidar do dinheiro. Nesse caso, o cofrinho e a mesada são aliados tradicionais e eficazes.

Apesar da falta de conscientização financeira ainda ser uma questão a ser resolvida, a educação financeira no Brasil é uma política de estado legitimada desde a publicação do Decreto nº 7.397, de 22 dezembro de 2010. Neste foi instituída a Estratégia Nacional de Educação Financeira (Enef). Afinal, é necessário compreendermos que as crianças são também consumidoras e precisam aprender a usar o dinheiro com inteligência.

Nesse contexto, a família e a escola são fundamentais para auxiliar o desenvolvimento de cidadãos cientes de seu papel no desenvolvimento econômico e social do país. Segundo a pesquisa realizada por especialistas do Banco Mundial, as crianças com sólida educação financeira possuem mais facilidade de pensar no futuro e planejar suas economias. Além disso, ao ter contato com o assunto “dinheiro”, os próprios professores também podem se aprofundar no assunto, sem falar que as crianças costumam repassar as informações aprendidas para as pessoas que fazem parte do seu dia a dia.

Enquanto a disciplina não fizer parte Base Nacional Comum Curricular (BNCC), medidas simples podem ajudar na educação financeira. O próprio dia a dia possibilita algumas aulas de economia.  Ao fazer uma viagem em família por exemplo, fale sobre os custos, o quanto tiveram que trabalhar para tirar as merecidas férias. Antes de ir ao supermercado, faça uma lista dos produtos que estão faltando. Dessa forma, a ideia é de que a criança e/ou jovem possam diferenciar desejo de necessidade na hora das compras.

É válido inserir uma mesada para ensinar a criança e/ou jovem a lidar com dinheiro. A pouco tempo, uma imagem sobre “regras de mesada” circulou nas redes sociais, com aproximadamente 10 mil compartilhamentos. A foto mostrava os descontos na mesada sofridos pelos filhos a cada conduta de mau comportamento, como faltar à escola ou não escovar os dentes.

 

Porém, de nada adianta aulas de educação financeira se pais e familiares não repensarem hábitos consumistas. Nesse sentido, Em seu livro “10 Bons Conselhos de Meu Pai”, o educador financeiro Gustavo Cerbasi aponta a influência dos pais e familiares na maneira como os filhos passam a relacionar ‘dinheiro’ às suas emoções, ao trabalho e à vida em geral quando adultos.

Não adianta negar um brinquedo novo à criança se logo em seguida a mãe resolve aproveitar a liquidação de inverno. Se a criança de hoje for incentivada a depositar parte da mesada no porquinho e compreender desde cedo que tudo na vida tem seu preço, é bem provável que na fase adulta sua vida financeira será razoavelmente equilibrada.

A educação financeira favorece o fortalecimento de valores, como transparência, cooperação, respeito, autonomia e ética, essenciais não só para o indivíduo como para a construção de uma sociedade mais justa e solidária.

 

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