A preservação do patrimônio histórico brasileiro

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Toda segunda-feira liberamos um novo tema de redação para nossos alunos praticarem. Nesta semana, o tema em questão é: “A preservação do patrimônio histórico brasileiro”. Para ter acesso à correção, adquira qualquer um dos nossos pacotes que contenham o Curso Completo ou Redação na Prática! Confira aqui.

Texto 1

 “Preservar é muito mais que tombar”

Professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP diz que as ações de preservação deveriam retratar o modo de vida de uma sociedade, e não expulsar os moradores para recriar um cenário artificial

Maria Lucia Bressan Pinheiro é professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo (USP) e diretora do Centro de Preservação Cultural Dona Yayá (CPC-USP). Rema contra a corrente segundo a qual apenas monumentos belos deveriam ser preservados. Em entrevista a História Viva, ela diz que esse ramo da arquitetura é pouco prestigiado no Brasil porque prevalecem os interesses econômicos dos especuladores imobiliários.

História Viva – A preservação do patrimônio histórico, no senso comum, tornou-se sinônimo de tombamento no Brasil. Trata-se de uma visão equivocada? 

Maria Lucia Bressan Pinheiro – A preservação é muito mais abrangente que o tombamento. A preservação diz respeito a um conjunto de medidas, desde intervenções físicas no bem cultural até políticas públicas. São iniciativas destinadas à preservação do patrimônio para as gerações futuras. O tombamento é uma dessas medidas. Geralmente, é o passo inicial no Brasil, porque não temos uma cultura preservacionista arraigada na sociedade. Somos muito carentes, com problemas básicos não resolvidos, como pobreza e falta de escolaridade, e isso limita a possibilidade de fruição do patrimônio. As pessoas nem param para pensar que existe um passado, com coisas esteticamente bonitas, que contam as nossas origens, a nossa história. A maioria está tão preocupada como básico que nem tem olhos para o prazer. Não há como negar que existe uma hierarquia de necessidades. De outro lado, no mundo inteiro, todos os valores da nossa cultura atual são de descarte, de inventar novidades, buscar o novo pelo novo, até para movimentar a economia. Além disso, como fomos uma colônia, sempre imitamos um paradigma português e europeu. Estamos habituados a esperar modelos de outras sociedades.

HV– Há cidades que tombam pouco e preservam muito? Paris é um exemplo?

Maria Lucia – Certamente há cidades no exterior que preservam mais, em razão do contexto. Os nossos municípios sofreram um processo de crescimento rápido e súbito com a industrialização, a partir dos anos 1930. Instalou-se uma população urbana desenraizada do local. Em Paris e Roma, que preservam mais, as cidades cresceram ao longo de muitos séculos. Passaram por essa fase de explosão, mas quando já eram grandes e tinham uma população arraigada, muito identificada com os centros históricos. Tinham outra relação de pertencimento ao espaço.

HV– A quem interessa a política de só preservar se tombar?

Maria Lucia – Há uma apatia em relação à preservação. Fica tudo a cargo do Estado. No Parlamento, não há representantes desse interesse. Isso acontece porque os atingidos são os especuladores imobiliários. Não são todos, mas há empresas e pessoas que não podem imaginar ter uma atividade lucrativa em uma casa tombada. Um empreendimento, como um restaurante, ficaria muito mais charmoso. Chamo de especuladores aqueles que só veem uma forma de ganhar dinheiro: por meio da destruição.

HV– Por que no Brasil só se pensa em preservar imóveis coloniais?

Maria Lucia – É um viés dos modernistas, de que o século XIX não interessa. O próprio Lucio Costa diz isso. O mélange de estilos daquela época foi visto como algo que não tinha valor algum. Não era nem puro como o colonial, nem puro como o moderno. Esse era o viés de quem trabalhava no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) nos anos 1930-40. Não é democrático privilegiar determinado tipo de bem cultural. Há exemplos de imóveis não coloniais que deveriam ser preservados. O único critério que julgo interessante é de um bem cultural que revele o modo de vida das pessoas. Gosto de ver os vários momentos de uma cidade representados. Há a arquitetura de casas dos Jardins e do Pacaembu (bairros de São Paulo), dos anos 1930, com cara meio normanda, meio espanhola. São impuras, mas muito características de uma época. As fazendas de cacau no Nordeste são outro exemplo. Há ainda a arquitetura alemã e italiana no Sul do país. (…)

(http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/-preservar_e_muito_mais_que_tombar-.html)

Texto 2

 Propaganda da Prefeitura de Campo Bom (RS)

 patrimônio histórico 1

 

(http://dzeit.blogspot.com.br/2012/04/pela-preservacao-do-patrimonio.html)

 

Texto 3

 patrimônio histórico 2

 

(www.e-publicacoes.uerj.br)

 Texto 4

 (…)

Nossas cidades não são locais onde apenas se ganha dinheiro, não se resumem em ser apenas dormitório para seus habitantes. Nela vivem seres humanos que possuem memória própria e são parte integrante da nossa história. Por esse motivo, não passa despercebido pelos habitantes das cidades à destruição da casa de seus antepassados, de antigos cinemas, bares, teatros e outros prédios históricos. Toda essa “destruição do patrimônio” para dar lugar ao automóvel ou aos gigantes edifícios de aço e concreto deixam nossas cidades poluídas, sem emoção e seus habitantes perde um pouco da identidade e identificação com o local onde vivem.
Passado a euforia do modernismo, o homem se volta para a busca de seu passado, de suas memórias. Essa busca vem do anseio de uma civilização dominada pela técnica que deseja voltar seus olhos para o passado. Uma espécie de saudade da época em que nossas cidades eram mais humanas, em que o homem tinha mais tempo para refletir sobre seu destino.
Assim, a memória coletiva das cidades está em seus velhos edifícios. Eles são o testemunho mudo, porém valioso, de um passado distante. Servem para transmitir às gerações posteriores os episódios históricos que neles tiveram lugar e também como referência urbana e arquitetônica para o nosso momento atual. Preservá–los não só para os turistas tirarem fotos ou para mostrar aos nossos filhos e netos, mas para que as gerações futuras possam sentir “in loco” a visão de uma cidade humana e como se vive nela. Para terminar, parafraseio um importante historiador: “Uma cidade sem seus velhos edifícios é como um homem sem memória”.
Eder Santos Carvalho

Encruzilhada do Sul, Abril de 2009

 

Com base na leitura dos seguintes textos motivadores e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema A preservação do patrimônio histórico brasileiro, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

 Instruções

– O texto definitivo deve ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas.

– A redação com até 7 (sete) linhas escritas será considerada “insuficiente” e receberá nota zero.

– A redação que fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo receberá nota zero.

– A redação que apresentar proposta de intervenção que desrespeite os direitos humanos receberá nota zero.

– A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação terá o número de linhas copiadas desconsiderado para efeito de correção.

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