Ser um multitarefa ajuda a aprender rápido?

Neurocientistas explicam como estudantes podem evitar as redes sociais e ser multitarefa durante os estudos.

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multitarefa

Atualmente, a informação se cria e se dispersa mais rápido do que podemos absorver. O Google estima que nós criamos mais informações em 5 anos do que em toda a história do mundo. Redes sociais, e-mails, mensagens, WhatsApp e ligações consomem nosso tempo. Nossa lista de afazeres é tão extensa que nossa rotina é tentar completar todos os itens. A solução é ser multitarefa.

A pesquisa de Earl Miller, pesquisador do MIT (Massachussetts Institute of Technology), mostrou que ser multitarefa não funciona. Simplesmente porque o nosso cérebro não funciona dessa maneira. Se você está estudando um livro e ao mesmo tempo tentando ouvir uma conversa, o órgão considera que estamos fazendo duas tarefas diferentes e cada uma vai para um lado distinto. Quando você começa a prestar atenção na conversa, automaticamente sua atenção no livro diminui.

Para piorar a situação, tentar aprender sendo multitarefa ainda leva as informações para o lado errado do cérebro. Russ Poldrack, da universidade de Stanford, constatou em um estudo que, por exemplo, se uma pessoa tenta estudar e assistir televisão ao mesmo tempo, a informação adquirida nos estudos vai para o striatum, região do cérebro especializada em armazenar novos procedimentos e habilidades. Sem ter a distração da TV, as informações vão para o hipocampo, local onde as ideias e os fatos são organizados e categorizados.

“As pessoas não conseguem ser multitarefas, quando elas falam que conseguem, na verdade estão se enganando”, disse Miller. Nosso cérebro é muito bom em nos enganar.  Quando alternamos atividades usamos glucose, que é necessária para que nossos neurônios funcionem otimamente. Então, quando você muda do Netflix, para suas anotações de estudos, para vídeos de gatinhos, você vai sentir que não consegue mais focar, é porque você esgotou os neuro recursos necessários para seu cérebro engatar e focar.

Deixe seu cérebro divagar

Pausas saudáveis são fundamentais. Elas ajudam a restaurar um pouco da glucose e alguns nutrientes do nosso metabolismo necessários quando usamos pesadamente nosso cérebro. A pausa saudável é aquela que deixa seu cérebro “respirar”, divagar. Por exemplo: lendo um livro, dando uma volta, praticando exercícios, escutando música.

Crie um ambiente livre de distrações

Nosso cérebro tem a necessidade de estímulos novos e sempre procura o caminho com multitarefamenos esforços.  Quando entramos nas redes sociais ou lemos nosso Whatsapp, obtemos novas informações sem nenhum esforço, por isso, essas atividades acabam ameaçando o melhor aproveitamento dos nossos estudos. É importante que na hora de estudar, não se deixe o celular por perto, e não se abra sites que não sejam as fundamentais para os  estudos.

Renove as energias aos poucos

O vício do multitarefa e das redes sociais é real, existe um processo de resposta de vício de dopamina por trás disso. Nosso cérebro procura por novidades – mais evidente em algumas pessoas que em outras – e a dopamina é a recompensa do cérebro por ter achado essa novidade. A dopamina pode ser entendida como a substância neuroquímica “quero mais”. Quando somos multitarefas, encontramos coisas novas quase todo segundo, logo a dopamina é liberada a quase todo tempo, o que nos faz querer achar coisas novas, porque libera dopamina, e por aí vai, até nos sentirmos exaustos.

Muitos deixam as mensagens e as redes sociais nos interromperem, dando o poder a elas de decidir como gastaremos nosso tempo e o que acharemos disso. Só ajustes em como abordamos a internet,  melhoras na nossa autodisciplina podem fazer a diferença para controlar essas atitudes. Nós não podemos diminuir o fluxo de novas informações, porém, podemos controlar o quanto vamos deixar elas interceptarem nossas atividades. Precisamos do tempo de sonhar acordado, pois é fundamental para sermos criativos e produtivos.

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