Histórico do NOVO ENEM

A maioria das pessoas passou a ouvir falar de TRI a partir de 2009, quando o INEP (Instituto Nacional de Ensino e Pesquisa Anísio Teixeira) informou quais seriam as novas regras do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) a partir daquele ano.

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Histórico

O interesse em conhecer o objetivo e as técnicas aplicadas pelo TRI fez com que a área educacional se mobilizasse e palestras e seminários aconteceram em todo território nacional.  Poucas pessoas dominavam o assunto e até hoje a grande maioria ainda o desconhece.

O INEP em 2009 divulgou que o ENEM sofreria as seguintes mudanças:

Na sua forma – até 2008 o exame era constituído de uma redação e 63 questões objetivas realizadas em um único dia, a partir de 2009, o exame passou a ter uma redação e 180 questões objetivas divididas em quatro áreas de conhecimento e aplicado em dois dias seguidos;

Na correção – o ENEM seria corrigido pela TRI que tem como base a possibilidade de medir o traço latente do aluno, isto é, medir o conhecimento do aluno utilizando as informações  de um banco de itens pré testados em um grupo determinado.   São definidos parâmetros característicos da TRI e é possível comparar um novo grupo de testandos utilizando recursos  estatísticos e probabilísticos.  As notas dos alunos são calculadas a partir de uma média e um desvio padrão estabelecidos.

Na utilização dos resultados – até 2008 poucas universidades utilizavam o resultado do ENEM, no Rio de Janeiro apenas a PUC usava o resultado do aluno como forma de ingresso na universidade.  A partir de 2009 o governo convocou as universidades públicas a usarem o resultado do ENEM como ingresso exclusivo ou parcial nos seus exames admissionais.  O governo criou o SISU (Sistema de Seleção Unificada) para que as universidades de todo o Brasil pudessem receber os alunos inscritos no vestibular, que passa ser via internet e o aluno se inscreve de acordo com a sua nota, ou seja, o aluno faz a prova, recebe uma nota e com esta nota faz a sua inscrição, na carreira que desejar, em universidades do Brasil que optem por receber alunos pelo SISU.

Começa então uma comoção nacional, pois contrariando a Teoria Clássica dos Testes, onde o escore do aluno está diretamente ligado ao número de acertos, a TRI pressupõe que o escore do aluno não depende apenas da quantidade de acertos, mas da coerência dos acertos nas suas respostas, isto é, espera-se que o aluno acerte as questões fáceis e médias.

Mas afinal, que novidades são estas?  Perguntavam todos ligados à educação.  Antes de revelar cada integrante deste novo processo vamos entender como esta teoria se desenvolveu.

De acordo com Pasquali (1), no início dos anos 50, baseados em seus precursores: Richardson (1936) que comparou os parâmetros dos itens obtidos pela Teoria Clássica da Psicometria com os que são usados atualmente pelo TRI; Lawley (1943) cujos trabalhos determinavam métodos para estimar os parâmetros dos itens; Tucker (1946) que foi a primeiro a usar a curva ICC (Iten Characteristic Curve) e Lazersfeld (1950) que introduziu a ideia de traço latente; Frederic Lord (1952) elaborou um modelo teórico e métodos para determinar os parâmetros da TRI.  Lord utilizava em seus estudos curvas em forma de ogivas. Eram aplicados em testes dicotômicos, ou seja, certo ou errado, sim ou não, verdadeiro ou falso.  Birnbaum (1957) substituiu as curvas no formato de ogivas por curvas logísticas, usando logaritmo o que facilitava o trato matemático.  Em seguida Samejima (1969) aprimora a teoria aplicando-a em testes politômicos.  A partir dos anos 80 com o avanço da informática softwares foram sendo desenvolvidos para maior rapidez e confiabilidade no processo.

O governo brasileiro baseado da Constituição de 1988 passa a ter a competência de avaliar e garantir a qualidade do sistema educacional brasileiro. Cria os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) que passariam a balizar o ensino a partir de avaliações de larga escala.

Em 1990 é aplicado o SAEB (Sistema Nacional de Avaliação Educacional Brasileira).  No ano de 1995 esta avaliação é reestruturada e aplicada utilizando pela primeira vez a TRI, possibilitando a comparação de grupos diferentes ao longo dos anos.

O ENEM foi implantado em 1998, e a ideia central era avaliação de competências (eram 21 no total), com provas contextualizadas e interdisciplinares.  Abrangiam as diversas áreas de conhecimento, constava de 63 questões (cada competência era avaliada 3 vezes).

Em 2009, este exame passa por uma reformulação.  Assim como no SAEB e na Prova Brasil, o governo passa a ter uma série histórica, pois com a utilização da TRI, é possível comparar grupos diferentes com provas diferentes.  É uma avaliação com caráter probabilístico, portanto, muda o paradigma de que  – a nota do aluno é proporcional ao número de questões que acerta, para  – é possível medir de forma mais adequada  o traço latente do aluno, ou seja, o quanto ele domina daquela área de conhecimento, dependendo de que questões o aluno acerta.

O novo ENEM

1.Objetivos do Exame

A partir de 2009, o  ENEM passa a ser um dos processos seletivos de Instituições de Educação Superior com os seguintes objetivos:

– Democratizar as oportunidades de concorrência às vagas federais de Ensino Superior.

– Certificar jovens e adultos no Ensino Médio, atribuição que era do ENCCEJA (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos).

– Direcionar a construção e revisão dos currículos das escolas de Ensino Médio.

2.Características do Exame

As Matrizes de Referência são os documentos que servem de base à elaboração dos itens (ou questões) que compõem as provas.  O item é a unidade básica do instrumento de medida (INEP).

O exame é dividido em quatro áreas de conhecimento:

(i)                 Linguagens, Códigos e suas Tecnologias (incluindo redação);

(ii)               Ciências Humanas e suas Tecnologias;

(iii)             Ciências da Natureza e suas Tecnologias;

(iv)             Matemática e suas Tecnologias

Até 2009 línguas estrangeiras não eram avaliadas, a partir do novo ENEM, Espanhol e Inglês foram incluídas na avaliação.  Desta forma, domínio de linguagens, compreensão de fenômenos, enfrentamento de situações problema, construção de argumentação e elaboração de propostas são competências que correspondem aos eixos cognitivos básicos.  Espera-se, portanto, que todo jovem ou adulto deve ter desenvolvido estas habilidades para enfrentar os desafios que são apresentados diariamente.

Cada uma das áreas de conhecimento foi dividida em competências, discriminadas de forma mais ampla e as competências subdivididas em habilidades, que foram descritas de forma mais específicas.

Temos então cinco eixos cognitivos, divididos em quatro áreas de conhecimentos, cada área com determinado número de competências, num total de 30 habilidades cada uma.

Se cada área de conhecimento apresenta 45 questões, e se todas as habilidades a priori devem ser contempladas, algumas vão aparecer mais de uma vez em cada exame.

O exame é composto por questões objetivas, pré-testadas, que formam um banco de questões que está sendo construído pelo INEP ao longo destes anos.

3.Formato do Exame

Em cada uma das áreas as provas são constituídas por 45 questões objetivas, são utilizadas quatro tipos de provas de cores diferentes que diferem apenas na posição das questões, ou seja, as provas de cada área possuem as mesmas questões, mas alocadas em diferentes posições, a questão 1 na prova amarela de Matemática de 2012, por exemplo, corresponde à questão 10 na prova cinza, à 9ª na azul e à 22ª na rosa.

O exame é realizado em dois dias de um final de semana, no sábado os alunos respondem a 90 questões e são avaliados nas provas de Ciências Humanas que abrange História, Geografia, Filosofia e Sociologia, e em Ciências da Natureza, com questões de Física, Química e Biologia.

No domingo, as provas são de Matemática, com 45 questões, assim como, Linguagens e Códigos que contemplam Língua portuguesa e Literatura Brasileira, Língua estrangeira, o aluno opta por Inglês ou Espanhol, Artes e Educação Física. O aluno ainda deve produzir um texto.

O método de avaliação tem um caráter probabilístico e por isso tem um número elevado de questões que devem ser feitas em 4h30minutos, o que significa que o exame deve ser realizado com uma velocidade de 3 minutos por questão, o que para a grande maioria dos alunos é muito difícil de ser executado.  A redação também tem tempo previsto de uma hora, apertado também para a grande parte dos alunos.

4.Correção da Redação

Na página do Inep, no que se refere a redação, temos que a nota é dividida em 5 competências, a saber:

Competência 1 – Demonstrar domínio da modalidade escrita formal de Língua Portuguesa.

Competência 2 – Compreender a proposta de redação e aplicar conceitos das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto dissertativo-argumentativo em prosa.

Competência 3 – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.

Competência 4 – Demonstrar conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação.

Competência 5 – Elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos.

Cada um dos textos é copiado e enviado a dois corretores distintos que realizam suas correções sem saber as notas do outro avaliador.  Cada competência recebe nota de 0 a 200 pontos, com intervalos de 40 pontos, ou seja, em cada competência as notas possíveis dadas por um avaliador são: 0, 40, 80, 120, 160 ou 200. A nota do examinando será a média aritmética das notas finais.

Se por ventura a diferença entre as notas de uma determinada competência for maior que 80, ou, se na totalização das competências a diferença for maior que 100 pontos, considera-se que houve discrepância e a prova é corrigida por um terceiro corretor.  A nota final será a média aritmética entre as notas que mais se aproximarem.

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