Domingo no parque – uma música cinematográfica

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A música “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil, foi tocada pela primeira vez no Festival da Música Popular Brasileira em 1967 ao lado da banda Os Mutantes. Os arranjos desta canção são bem sofisticados, pois Gil incluiu além da viola, um berimbau, uma orquestra com instrumentos eruditos e guitarra.

A canção é uma narrativa bem visual e cinematográfica. Ela conta a história do brincalhão José, que por sentir ciúmes de Juliana, ao avistá-la com o encrenqueiro João no parque, acaba assassinando os dois.

Quem sabe algum dia haja alguma adaptação de “Domingo no Parque” para o cinema, seguindo o mesmo destino de “Faroeste Caboclo” da banda Legião Urbana.

Como numa edição de cinema, a forma como a letra detalha o olhar de José para ambos, para a rosa e o sorvete, tudo girando e a inserção da faca, seguido do ritmo dos instrumentos, acaba criando uma sequência acelerada de imagens na cabeça de quem a escuta.

O interessante de “Domingo no Parque” é perceber que dois protagonistas, de personalidades distintas, acabam agindo de maneiras opostas quando estão em um ambiente que sugere diversão. José, que era brincalhão, acaba cometendo um homicídio e João, que era de confusão, estava apenas tomando sorvete com a amiga Juliana. No dia seguinte, não teve mais feira e nem construção (locais onde os rapazes trabalhavam).

Em 2015, a música completa 48 anos. Ela ainda será lembrada por muito tempo por aqueles que gostam de boa música. Muitos críticos foram contra a inserção da guitarra por considerarem o instrumento como um símbolo do capitalismo. Lembrando que em 1967, o Brasil estava sob o regime militar. Anos depois, o próprio Gilberto Gil foi exilado devido as suas posições políticas. Posições que jamais interferiram nas suas obras.

O Festival da Música Brasileira de 1967 ainda contou com outras músicas antológicas, como: “Alegria, Alegria”, de Caetano Veloso, “Roda Viva” de Chico Buarque e “Ponteio”, de Edu Lobo (vencedor deste festival).

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